O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) pediu esta terça-feira uma intervenção do primeiro-ministro devido à “enorme falta de vontade” dos ministérios da Justiça e das Finanças para resolverem os problemas da classe e do sistema prisional.

O pedido foi feito durante uma vigília promovida pelo SNCGP junto à residência do primeiro-ministro, em Lisboa, onde uma delegação do sindicato foi recebida pelo assessor militar de Pedro Passos Coelho, a quem entregaram uma carta com as reivindicações.

Em causa está a regulamentação do horário de trabalho, progressões nas carreiras, aprovação dos novos níveis remuneratórios e pagamento do subsídio de turno para quem faz noites, questões previstas no estatuto profissional aprovado há mais de um ano, mas que ainda não foi aplicado.

O presidente do SNCGP, Jorge Alves, explicou aos jornalistas que o sindicato fez chegar ao primeiro-ministro “a insatisfação do corpo da guarda prisional”, uma vez que as promessas feitas pelo Ministério da Justiça “até à data não foram cumpridas”.

“Foi assegurado pelo assessor que vai transmitir ao primeiro-ministro a nossa preocupação”, disse, adiantando que deu também conhecimento ao assessor militar do chefe do Governo da realidade do sistema prisional.

Segundo Jorge Alves, atualmente existem cerca de 4.000 guardas prisionais para um universo de mais de 14.000 reclusos e há um aumento da violência entre presos.

“Começa a preocupar a segurança dos guardas prisionais porque somos cada vez menos para assegurar as tarefas no exterior da cadeia”, sustentou.

O sindicalista garantiu que as ações de luta vão deixar de se realizar caso o primeiro-ministro “dê um sinal de que as coisas vão mudar”, que, na sua opinião, terá que ser breve, já que o Governo está em fim de mandato.

Além da vigília, o SNCGP vai também realizar, entre quarta-feira e sexta-feira, uma greve às diligências, que vai afetar as saídas ao exterior dos reclusos, e uma paralisação total durante o fim de semana, sendo apenas assegurados os serviços mínimos.

O sindicato tem ainda agendada uma vigília, para este mês de junho, junto à Presidência do Conselho de Ministros, além de admitir a realização de mais greves.

“A vigília e outras greves não avançarão se o primeiro-ministro der sinal para os ministérios da Justiça e das Finanças de que têm de concluir aquilo que se iniciou quando foi aprovado o estatuto em 2014”, garantiu.

A vigília de hoje foi a quarta realizada pelos guardas prisionais e a paralisação, que tem início a partir de quarta-feira, é o sexto período de greve desde março.