O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, admitiu esta quarta-feira avançar para a realização de uma greve, caso as reivindicações da classe continuem por resolver.

As declarações de Fernando Curto foram feitas durante a manifestação de bombeiros profissionais, que esta quarta-feira se realizou entre o Ministério da Administração Interna (MAI) e a Presidência do Conselho de Ministros, onde está instalada a secretaria de Estado da Administração Local.

«Podemos vir a realizar greves, vigílias, tudo. Não podemos deixar que as cidades mais importantes de Portugal corram risco. Neste momento temos a população em risco e nós [bombeiros] corremos risco, sem alarmismo e sem demagogias», disse aos jornalistas o presidente da ANBP.

Em causa está a falta de efetivos, estatuto profissional, horários de trabalho, novas regras de aposentação e de progressão na carreira, reivindicações que constam de um documento elaborado há cerca de três anos pelo MAI e que foi remetido para as secretarias de Estado da Administração Local e a da Administração Pública, onde se encontra, até agora, sem avanços, segundo Fernando Curto.

Por isso, centenas de bombeiros profissionais fardados manifestaram-se hoje em Lisboa para contestar «a indiferença da classe política, em relação às reivindicações da classe», mas também para prestarem um agradecimento ao MAI.

«O agradecimento é sério, porque os bombeiros sempre receberam toda a colaboração do MAI e, em contrapartida, recebemos por parte da secretaria de Estado da Administração local, um alheamento total», afirmou Fernando Curto.

Segundo Fernando Curto, faltam mais de 5.000 bombeiros profissionais, referindo, como exemplo, que em Lisboa o quadro normal de sapadores é de 1.112, encontrando-se apenas ao serviço pouco mais de 700 e, no Porto, deviam existir 500 e, atualmente, não chegam aos 200.

Entretanto, num comunicado divulgado pelo gabinete do secretário de Estado da Administração Local, o Governo diz que tem «acompanhado e discutido com os parceiros» a revisão dos estatutos dos bombeiros profissionais da administração local, designados por bombeiros sapadores e bombeiros municipais.

Diz ainda que reuniu com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e com representantes dos bombeiros da administração local, incluindo a Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), «tendo sido acordado que, tal como determinava a lei em vigor, só após a publicação da lei de revisão dos suplementos que se encontrava em curso se iniciaria o processo formal para a revisão do Estatuto do Pessoal dos Corpos de Bombeiros da Administração Local».

Dado que a referida «lei dos suplementos» foi publicada no decurso do presente mês e, assim, ficaram preenchidas as condições para o prosseguimento do processo, «o Governo convocou já a ANMP e as estruturas associativas e sindicais que representam os bombeiros da administração local para uma ronda de reuniões com o Governo (...) para iniciar o processo formal relativo à revisão do estatuto dos bombeiros profissionais da administração local, que ficaram agendadas para o próximo dia 18 de março», refere o comunicado.

Fernando Curto disse à agência Lusa que, em setembro, os representas dos bombeiros profissionais estiveram reunidos com o secretário de Estado da Administração Local, António Leitão Amaro, que prometeu publicar a legislação até ao final do ano de 2014.

O presidente da ANBP desmente que estivesse em causa a revisão da lei dos suplementos e adiantou que a associação foi convocada para a reunião de 18 de março na quarta-feira, um dia antes da manifestação.