O presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA), manifestou-se esta quarta-feira satisfeito pela proposta de promoção de 6.088 militares este ano, mas estranhou o momento em que é conhecida esta intenção do Governo.

Os três ramos das Forças Armadas querem promover 6.088 militares em 2015, o que terá um custo superior a oito milhões de euros, de acordo com dados a que a agência Lusa teve acesso.

Caso seja aprovada, esta proposta, já enviada pelas chefias militares à tutela, representará o maior número de promoções desde 2012, ano em que estas foram «descongeladas».

O Ministério da Defesa aprovou promoções de 5.211 militares em 2012, de 5.609 em 2013 e de 4.353 em 2014.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Pereira Cracel, dirigente da AOFA, mostrou-se surpreendido com a altura em que a mesma surge, já que estão previstas iniciativas das estruturas militares onde irá ser discutido o presente e futuro das Forças Armadas.

«Não será inocente o tempo em que surge esta notícia», começou por dizer Manuel Pereira Cracel, lembrando estar em curso um inquérito relacionado com os estatutos das Forças Armadas, que «expectavelmente pode dar resultados que não são os mais positivos para os políticos responsáveis» pela área.


De acordo com Manuel Pereira Cracel, os responsáveis políticos têm sido «exímios manobradores», mas as promoções, cujo anúncio surge agora, «constituem um aspeto positivo para muitos camaradas», alertando a necessidade de se saber se a remuneração irá ser atribuída aquando da promoção ou apenas meses depois, como já aconteceu anteriormente.

«As promoções têm sido sujeitas a um violento bloqueamento. A verificar-se, e desbloqueando as que estão paralisadas, é positivo. Interessa referir a oportunidade em que surge a informação, nem sei se será contra-informação», alertou


Manuel Pereira Cracel lembrou que as associações profissionais de militares têm em preparação um conjunto de iniciativas relacionadas com aspetos que «penalizam fortemente os militares» através de documentos que são estruturantes para o seu presente e futuro, como é o estatuto dos militares e a assistência na doença.

Já o presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), José Gonçalves, disse ter ficado surpreendido com a eventual promoção de mais de seis mil militares em 2015 proposta pelo Governo, embora considere que esta «vem tarde».

«Foi uma surpresa. Cada vez mais é normal sabermos através da comunicação social [destas coisas], o que não abona nada no sermos parceiros. Mas registamos com agrado as promoções, embora já venham tarde», declarou José Gonçalves à agência Lusa.


Segundo os dados a que a Lusa teve acesso, o Exército será o ramo com autorização para fazer mais promoções, com 3.304 (615 oficiais, 897 sargentos e 1.792 praças), seguindo-se a Força Aérea, com 1.525 (440 oficiais, 329 sargentos e 756 praças), e a Marinha, que estima promover 1.259 militares (233 oficiais, 450 sargentos e 576 praças).