A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) considerou esta terça-feira que as pessoas devem ser protegidas dos potenciais riscos para a saúde dos cigarros eletrónicos com nicotina, tendo em conta as dúvidas existentes quanto aos efeitos maléficos dos vapores que libertam.

Em declarações à agência Lusa, Ana Figueiredo, da comissão de tabagismo da SPP, explicou que os dados que se vão acumulando em relação aos malefícios dos cigarros eletrónicos provam que «poderão, eventualmente, fazer mal».

Desta forma, defendeu que, pelo facto de não haver certezas, é necessário «as pessoas serem preservadas desse risco», e daí dever ser aplicada aos cigarros eletrónicos com nicotina a mesma legislação que é aplicada aos cigarros tradicionais.

De acordo com a edição desta terça-feira do «Jornal de Notícias», o Ministério da Saúde quer proibir o consumo dos cigarros eletrónicos com nicotina em espaços públicos fechados, ou seja, aplicar a mesma regra dos cigarros normalizados, tendo a proposta chegado já ao Conselho de Ministros, que a irá avaliar «dentro de dias».

«As substâncias podem ser inócuas enquanto analisadas mas, quando são aquecidas, vão sofrendo transformações e aparecendo substâncias que podem ser tóxicas», explicou a responsável, adiantando não haver estudos fiáveis, até ao momento, e sublinhando a necessidade de estudos a longo prazo, como aconteceu com os cigarros normalizados.

Ana Figueiredo lembrou o facto de só após vários anos de estudo se ter chegado à conclusão de que as substâncias contidas no fumo do cigarro podiam provocar danos na saúde, salientando ser necessário fazer o mesmo com os cigarros eletrónicos.

«Quando vemos, num local público, alguém a fumar ou ‘vapear’, como se diz, nós não sabemos se é um cigarro ou um cigarro eletrónico. Estar a transformar o ensinamento da população ao criar a legislação que faz com que as pessoas não fumem em lugares públicos, que se torne numa norma, e permitir que se usem os cigarros eletrónicos, é estarmos a contrariar esta norma e a criar uma confusão nas pessoas que não é saudável-»


A especialista avançou ainda que a «opção ideal» para esta situação seria adotar aquilo que outros países e alguns Estados norte-americanos já fizeram ao aplicar a mesma legislação aos cigarros normais e aos cigarros eletrónicos.

A Organização Mundial de Saúde recomendou em agosto passado a proibição da venda de cigarros eletrónicos a menores de idade, por considerar que o consumo acarreta «graves ameaças» para adolescentes e fetos.

Os peritos da OMS aconselham também que seja proibida a utilização destes cigarros em espaços públicos fechados, de acordo com um documento publicado pela OMS.

A OMS alega que as provas existentes mostram que os cigarros eletrónicos «não são apenas vapor de água», como argumentam frequentemente os fabricantes.