O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, disse esta segunda-feira que «nenhum professor qualificado tem de ter algum receio» da prova de avaliação, afirmando que a «greve é um direito constitucional» e que a questão será vista «na altura própria».

No final da assinatura do protocolo de lançamento da 11ª Edição do Prémio Fundação Ilídio Pinho «Ciência na Escola», Nuno Crato foi questionado sobre a greve convocada pela Federação Nacional de Educação (FNE) para 18 de dezembro, dia da realização da prova de avaliação de conhecimentos e competências dos docentes e sobre se iria suspender esta prova.

«Não. A prova foi criada com o objetivo de melhorar o sistema de ensino através da dignificação da carreira de docente, da dignificação dos professores. Provas semelhantes existem em muitas profissões. Não há razão nenhuma para não existirem no sistema de ensino», afirmou.

Na opinião do ministro «nenhum professor qualificado tem de ter algum receio desta prova», considerando que, muito pelo contrário, «os professores qualificados, ou os candidatos qualificados a professores, devem ver a prova como uma demonstração que vão fazer da sua capacidade».

«A greve é um direito constitucional. Veremos esse problema na altura própria», respondeu relativamente ao protesto convocado pela FNE.

Nuno Crato garante ter «em conta as contestações que existem», recordando o diálogo «com os sindicatos com vistas a ver como é que a prova poderia ser feito».

«No entanto, infelizmente, os sindicatos manifestaram-se totalmente irredutíveis desde o princípio em relação a esta questão, coisa que é seu direito», cita a Lusa.

O responsável pela tutela da educação disse ainda que «esta prova existe em muitos países e é uma prova que se destina a verificar as qualificações mínimas daqueles que querem ensinar».

«É natural que haja muitos candidatos a professores que queiram ensinar. Também é natural que nós - representando os pais, representando a educação do país - queiramos ser o mais criteriosos possível», justificou.

A FNE decidiu realizar uma greve a 18 de dezembro, no conselho geral da FNE, que esteve reunido em Évora, no sábado passado.

Na mesma reunião foi aprovada a realização de concentrações de professores em diversas cidades do país, entre 25 de novembro e 2 de dezembro, nomeadamente em Coimbra, Lisboa, Évora e Porto.

Numa nota à imprensa, a FNE justificou a greve com a insistência do Ministério da Educação e Ciência (MEC) em «impor uma prova de conhecimentos e capacidades a todos os candidatos dos próximos concursos de docentes, independentemente do tempo de serviço que já tenham realizado no sistema educativo».