O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, disse esta quarta-feira à Lusa que a seca vai afetar a produção de queijo e os preços podem aumentar a curto prazo.

A região da Serra da Estrela, da Serra de Serpa, e a do próprio queijo de Azeitão, são tudo regiões em que o pasto dos animais já não existe há muito tempo, (…) a quantidade seguramente vai ser menor e os preços também podem sofrer alterações de uma forma mais direta”, garantiu.

No que se refere ao leite para consumo diário, a situação, para já, não se verifica, uma vez que existem condições para garantir a alimentação dos animais.

O problema põe-se de uma forma um pouco diferente porque, geralmente, traduz-se em leite de animais estabulados que, ciclicamente, têm a produção de alimentos garantida e, por isso, pode não haver prejuízo imediato, mas também é evidente que vão sofrer consequências sob o preço dos alimentos”, disse à Lusa.

Eduardo Oliveira e Sousa refere ainda que, para os animais que vivem em pastoreio a situação é dramática e estende-se aos proprietários, que passam a ter que adquirir alimentos a um custo elevado.

No entanto, o presidente da CAP acrescenta que esta situação não se pode traduzir, de imediato, num aumento do preço da carne.

“Não é uma situação que se verifique [de imediato], porque o mercado da carne é muito abastecido por importação (…), mas é natural que, a verificar-se esta manutenção, os preços possam sofrer alguma alteração, devido ao acréscimo de custos que as pessoas estão a ter”, concluiu.

Os produtos hortícolas também podem vir a escassear nos mercados, como alertou esta quarta-feira a Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO), a maior região produtora do país onde os agricultores estão a atrasar as culturas pela falta de chuva.

Este tempo seco está a atrasar as plantações das culturas hortícolas e os hortícolas podem vir a faltar no mercado", afirmou à agência Lusa o presidente da AIHO, António Gomes, acrescentando que os viveiros "estão cheios de plantas" que não são vendidas.

"Os agricultores têm receio de produzir, se não chover", disse.

O dirigente agrícola estimou que, dos cerca de cinco mil hectares de culturas ao ar livre e de estufa que nesta altura costumavam, em anos anteriores, estar ocupados com as produções de couves, tomate, alfaces, espinafres ou outras leguminosas, este ano só existem dois mil.

As culturas que existem estão em risco, se não chover", alertou.

O setor hortofrutícola teme vir a ter elevados prejuízos, decorrentes da falta de produção no mercado nacional e da eventual quebra nas exportações.

Estima-se que mais de metade da produção nacional de hortícolas é produzida na região Oeste.