Cerca de meia centena de guardas prisionais estão esta quarta-feira concentrados em frente ao Ministério da Justiça, em Lisboa, para denunciar a falta de condições nas cadeias, cada vez mais sobrelotadas e com menos trabalhadores.

Na vigília, que começou às 10:30 e vai prolongar-se até às 15:00, estão delegados e dirigentes do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), que pretendem também chamar a atenção para a «falta de resposta» do Ministério da Justiça para as principais reivindicações da classe, estando muitas delas previstas no estatuto profissional dos guardas prisionais, que entrou em vigor em fevereiro.

Em causa está a integração dos guardas prisionais nas novas tabelas remuneratórias, à semelhança do que aconteceu na PSP e na GNR, a fusão dos dois suplementos no vencimento, o pagamento de subsídio de turno, escalas de serviço e que a profissão seja considerada de risco e de desgaste rápido, disse à agência Lusa o presidente do sindicato, Jorge Alves.

O sindicalista explicou que, durante uma reunião que mantiveram com a ministra Paula Teixeira da Cruz, foi garantido a integração do suplemento nos vencimentos, mas já se passam três meses e ainda não obtiveram uma resposta.

Jorge Alves disse também que os guardas prisionais querem que a profissão seja considerada de risco e de desgaste rápido devido à rotatividade dos serviços e ao aumento do número de reclusos, que são cada vez mais jovens e violento

Segundo o presidente do sindicato, a qualificação da profissão como de risco e de desgaste rápido não acarreta «impacto financeiro para o Estado», uma vez que os benefícios são ao nível da antecipação para a reforma e redução na taxa de IRS.

O presidente do SNCGP denuncia também a falta de condições nas cadeias portuguesas, considerando que vivem atualmente uma ¿situação de completo caos¿ devido à sobrelotação e à falta de guardas prisionais.

Segundo a Direção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais, existem mais de 14.400 reclusos nas prisões portuguesas, com uma taxa de sobrelotação de mais de 2.000 presos.

De acordo com o sindicato, cerca de 4.200 reclusos trabalham nas 49 cadeias portuguesas.

Além dos guardas prisionais que estão a reformar-se, desde janeiro já se aposentaram 150, Jorge Alves adiantou que profissionais em serviço «estão cada vez mais velhos e cansados» para líder com presos «cada vez mais jovens e perigoso».

O presidente do sindicato disse ainda que há cadeias, como a de Ponta Delgada e Caxias, onde 30 reclusos estão a dormir na mesma camarata, sendo apenas vigiados durante a noite por um guarda prisional.

De acordo com Jorge Alves, está também aumentar «o tráfico de droga e de bens ilícitos» nas cadeias devido ao menor número de guardas prisionais a fazer vigilância aos reclusos.

O presidente do sindicato vai hoje à comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias para falar sobre «o risco da segurança» no sistema prisional.

O sindicato vai também iniciar na quinta-feira uma greve durante os turnos da noite e ao fim de semana.

A greve, que se prolonga até 06 de junho, vai realizar-se entre as 19:00 e as 08:00, durante a semana, e aos fins de semana tem a duração de 24 horas.