O Tribunal de Torres Vedras condenou, esta quarta-feira, a 16 anos de prisão um caçador por ter matado com tiro de caçadeira um amigo quando este assistia a um jogo de futebol num café do concelho.

«Não era para assustar, era para matar porque quis tirar a vida» à vítima, afirmou o juiz Rui Alexandre na leitura do acórdão.

O arguido, talhante de profissão, de 59 anos, foi condenado a 16 anos de prisão por homicídio qualificado e a pagar 145 mil euros de indemnização à família da vítima, um homem de 58 anos seu amigo há 40.

O tribunal condenou-o ainda à proibição de uso e porte de arma, durante os 16 anos de prisão.

O coletivo de juízes deu como provados os factos da acusação do Ministério Público, segundo a qual em março deste ano a vítima abordou o agressor no café, dando-lhe um toque com o joelho na perna, e este lhe disse para não voltar a fazer a mesma coisa por estar a recuperar de uma operação ao joelho.

Porque a vítima o agarrou nos colarinhos e o ameaçou, o homem ausentou-se do café para ir a casa buscar a espingarda, voltando cinco minutos depois ao estabelecimento.

O homicida apontou a arma da entrada do café para o amigo, quando este estava sentado a assistir ao jogo de futebol, e atingiu-o na cabeça. A vítima acabou por falecer dentro do café, com graves ferimentos na cara.

Na leitura do acórdão, o tribunal não deu como provado que o crime foi premeditado, tendo em conta o tempo que o arguido demorou do café a casa.

Contudo, decidiu manter a qualificação do homicídio, sem o alterar para homicídio simples, justificando a decisão com o facto de o arguido ter disparado com violência, apontando a arma em direção à cabeça e sem dar quaisquer hipóteses de defesa, à distância de cinco metros.

«Não é normal matar outra pessoa por tão pouco, sendo ainda por cima amigos», sublinhou o juiz Rui Alexandre.

O arguido, que estava a aguardar julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Leiria, foi detido pela GNR ainda no local do crime, num café da localidade do Furadouro, após alerta dos proprietários do café.

À saída do tribunal, Lúcio Lourenço, filho da vítima, disse aos jornalistas que considerou a pena «demasiado suave para quem mata uma pessoa», motivo pelo qual a família o e seu advogado vão ponderar se vão recorrer da decisão.