A taxa de prevalência da Hipertensão Arterial (HTA) em Portugal é, afinal, menor do que se pensava, estando situada numa taxa de 26,9%, e não em 42%, revela um novo estudo.

Segundo informou a Direção Geral de Saúde, em comunicado, uma investigação conduzida pelo professor Mário Espiga de Macedo, apresentada esta quarta-feira, concluiu que em 2013 a taxa de prevalência da HTA ficou nos 26,9%, sendo mais elevada no sexo feminino (29,5%) do que no masculino (23,9%).

O estudo concluiu que existe uma «muito baixa» prevalência da HTA nos jovens, que contrasta, porém, com um mau controlo da doença nos idosos.

Os investigadores observaram, também, que a diabetes é uma doença presente em grande parte dos hipertensos estudados e que cerca de 50% dos doentes têm um valor de colesterol total elevado.

Segundo o autor do estudo, foi «a melhoria dos registos clínicos» nos últimos anos que permitiu obter uma «radiografia completa do país em relação» à HTA, o que acabou por revelar uma taxa que se afasta de investigações anteriores, que apontavam para uma taxa de prevalência de 42%.

Diferente de outras investigações, partindo da observação nos cuidados de saúde primários, o novo estudo analisou, também, outras variáveis além da pressão arterial, como o peso e altura, obesidade, diabetes, história de enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral, bem como medicação anti-hipertensora e antidislipidémica e os resultados clínicos obtidos.

Os dados agora apresentados vão permitir «um estudo e discussão, fundamentalmente pedagógica, no sentido de melhor conhecer a real população portuguesa em relação às variáveis estudadas (HTA, obesidade, diabetes, terapêuticas utilizadas, entre outras), assim como a maior ou menor eficácia das práticas médicas ou das condições da sua realização», refere o Professor Mário Espiga de Macedo.



Hipertensão está mal controlada nos idosos portugueses 


Metade dos doentes hipertensos em Portugal tem um valor de colesterol elevado, com a hipertensão a registar elevada prevalência e mau controlo entre os mais idosos e níveis baixos nos jovens.

O coordenador nacional para as doenças cardiovasculares, Rui Cruz Ferreira, explicou à agência Lusa que este estudo é um ponto de partida importante, uma vez que se trata de uma análise de larga escala que permite ter elementos estatísticos a nível nacional que possibilitem uma intervenção mais dirigida.

Sobre os 50% de doentes hipertensos que têm colesterol total elevado, Cruz Ferreira lembrou que se trata de um dado relevante e que pode ter implicações na terapêutica a aplicar, já que estes doentes estão «em particular risco de eventos cardiovasculares».

O estudo que é esta quarta-feira apresentado em Lisboa aponta ainda para uma «elevadíssima prevalência» da hipertensão nas pessoas acima dos 65 anos e para um número grande de situações não controladas.

«Isto pode significar a necessidade de haver programas específicos que se dirijam a populações alvo, como os idosos ou doentes com múltiplos fatores de risco.»


Segundo o cardiologista, outro dado relevante do estudo são as diferenças regionais encontradas, «não havendo ainda uma explicação cabal» que as justifique.

Em termos de prevalência da hipertensão, a administração regional de Lisboa e Vale do Tejo é a que que regista menor taxa de doentes, enquanto o Alentejo é a que tem maior prevalência, muito próxima dos valores do Algarve.

No que respeita ao controlo da hipertensão por regiões, são verificadas também «diferenças significativas», principalmente entre a região norte (cerca de 40% de controlo da doença) e a região do Algarve (cerca de 20%).

O estudo analisou os dados registados em todas as pessoas maiores de 18 anos inscritas nas unidades de saúde, a quem estava atribuído um médico de família e que no ano de 2013 tinham tido pelo menos duas consultas médicas onde foram registados os valores da pressão arterial.