O Presidente do Conselho Português de Proteção Civil afirmou esta quarta-feira, em comunicado enviado às redações, que autoridades falharam na emissão e difusão de avisos e medidas de prevenção face às condições meteorológicas.

«A ação da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Autoridade Marítima Nacional (AMN) e da maioria dos Serviços Municipais de Proteção Civil (SMPC), no que concerne à emissão e difusão de AVISOS e medidas de prevenção e autoproteção, face às condições meteorológicas adversas que o país atravessa», pode ler-se.

Para João Paulo Saraiva Amaral da Encarnação, «compete à ANPC vir a público, através dos órgãos de comunicação social nacionais, informar quais são as zonas de risco previsível, recomendações de segurança e medidas de autoproteção realistas e adequadas aos riscos expectáveis».

«Compete à Autoridade Marítima Nacional assegurar a regular difusão das zonas de risco interditadas, (...) aos municípios garantir um Serviço Municipal de Proteção Civil (...) e articularem os agentes municipais de proteção civil nas missões preventivas de interdição das zonas de risco, competindo-lhe coordenar a ação dos serviços municipais que possam contribuir operacionalmente para o efeito, devendo ainda recorrer aos órgãos de comunicação social locais para a difusão local», lê-se ainda no comunicado.

O presidente pede ainda que se afaste «das zonas de risco os fotógrafos amadores, os órgãos de comunicação social, e os próprios agentes de proteção civil que se colocam muitas vezes em risco como se fossem imunes à fúria da natureza, sem esquecer os idosos e pessoas portadoras de deficiência ou incapacidade física, muitas delas sem acesso aos avisos das autoridades»

«As mesmas críticas aplicam-se ao Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros da Região Autónoma da Madeira, cuja sua proficiência na capacidade de previsão, prevenção, e aviso de risco é praticamente inócua se comparado, por exemplo, com o seu homólogo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros da Região Autónoma dos Açores», diz o mesmo comunicado, onde João da Encarnação «considera que a falta de especificidade dos AVISOS emitidos gera descrédito, uma vez que deixa a população em alerta em zonas onde na realidade não são previsíveis ocorrências, e pânico em zonas não interditadas e especificamente avisadas que sofrem significativos danos previsíveis»

O Presidente do Conselho Português de Proteção Civil apela ainda «ao empenho das autoridades nacionais e locais, reiterando que considera inócuo o trabalho de prevenção notório nos últimos dias, que denotam uma preocupante incapacidade técnica e de coordenação interinstitucional».