O Presidente da República insistiu esta sexta-feira num acordo alargado sobre o sistema de saúde, pedindo que se ponham ideais de parte e que se encontre uma "fórmula intermédia" sobre o papel do Estado e dos privados.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava nas IV Jornadas Internacionais do Internato Médico, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, considerou que "este é um momento que pode não ser repetível, de alguma folga para um debate sereno sobre o sistema de saúde", e dirigiu este apelo também aos profissionais do setor.

Eu espero que rapidamente termine aquilo que tem sido um tempo, legítimo, de reivindicações, sobretudo, de curto prazo dos profissionais de saúde - porque enquanto se reivindica o curto prazo nunca se discute o médio-longo prazo - para depois, com alguma distância, todos se sentarem a uma mesa, se houver mesa suficientemente grande para todos se sentarem, e pensarem a prazo como é que será e poderá ser, a cinco anos ou a dez anos, o nosso país", declarou.

Segundo o chefe de Estado, existem em Portugal "dois grandes hemisférios que se dividem relativamente à saúde em Portugal", quanto ao papel do Estado, das instituições particulares de solidariedade social e dos privados, e que devem tentar chegar a um compromisso, "cedendo naquilo que é ideal para cada qual".

De um lado, está "o hemisfério mais público-público, e que vê com reticências o chamado público-social nalgumas das suas vertentes e o público-privado ou o alargamento do privado". Do outro, "o hemisfério que acha que é inevitável o alargamento do privado, que é útil o público-privado, e que, portanto, há que redimensionar o público-público - umas vezes dizendo, outras vezes não dizendo", expôs.

E é por aí que passa a procura de uma fórmula intermédia, de que depende depois o posicionamento sobre a estruturação do sistema, a organização do sistema, o financiamento do sistema e os recursos dentro do sistema", defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu aos dois lados que aproximem posições, "sacrificando uns aquilo que seria o seu ideal, sacrificando outros o que seria o seu ideal, e encontrando-se a meio", para, pelo menos, se pensar o sistema de saúde a prazo.

Aos "mais publicistas", o Presidente da República apelou a que contribuam para um entendimento "condescendendo em que a realidade implica que haja um peso acrescido de outros subsetores".

Aos "menos publicistas", solicitou que aceitem "que há uma realidade que tem sido nuclear" no sistema de saúde português - o Estado - e que "merece não ser sujeita a tratos de polé, nomeadamente a tratos de polé repentinos e radicais".

"Talvez seja possível aí um compromisso", acrescentou.