A aérea de expansão da vespa do castanheiro em Trás-os-Montes e no Douro já é maior do que se esperava quando foi detetada neste território em abril, indicou esta quinta-feira o presidente da Associação Nacional da Castanha – RefCast.

O primeiro foco de infestação desta praga, que afeta a produção de castanha, foi detetado no final de abril na região transmontana, um ano depois de ter sido encontrada primeira vez em Portugal, no Minho. 

José Gomes Laranjo, presidente da RefCast e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) deu conta do balanço feito até agora , em declarações à Lusa:

“Foi uma má surpresa. A área da expansão da vespa é maior do que aquilo que pensávamos e surpreendentemente já se encontraram focos bastante desenvolvidos não só em castanheiros jovens, mas também em castanheiros adultos”



Depois de Valpaços, foi detetada a vespa em outros concelhos como Bragança, Macedo de Cavaleiros, Lamego, Trancoso ou Sernancelhe.
 

Combate à praga


Logo em abril começou a ser implementada uma estratégia, que envolveu juntas, autarquias, produtores, instituições de ensino superior e a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, que está a fazer o recenseamento e o mapeamento das zonas infestadas.

Devido à importância que a produção de castanha representa para a economia transmontana, assistiu-se a uma grande mobilização na luta contra a vespa que, à semelhança do que já aconteceu em outros países europeus, pode eliminar até 80% da produção nos próximos anos.

Neste período, foram realizadas 50 ações de sensibilização e multiplicaram-se os apelos para vistoriar os soutos com o objetivo de retirar o material contaminado dos castanheiros para impedir a sua propagação.

Este trabalho deve continuar, segundo José Gomes Laranjo, até à primeira semana de junho, altura em que a vespa começa a sair das galhas.
 

Qual o perigo desta vespa?


A vespa aloja os seus ovos nos gomos dos castanheiros. Só quando estes formam novos ramos é que se percebem as deformações e inchaços nas folhas. Depois de infetados, os ramos não conseguem dar mais fruto.

O trabalho de vistoria foi principalmente direcionado para as novas áreas de produção, estimando-se que tenham sido plantados cerca de 200 mil árvores no último inverno, muitas importadas e sem os passaportes fitossanitários

No entanto, José Gomes Laranjo referiu que há também focos em castanheiros adultos o que poderá indiciar que, já no ano passado, a praga estava presente na região.

“Seguramente foram milhares e milhares de galhas que foram tiradas dos castanheiros, sobretudo dos novos”, afirmou.

Depois desta fase há que mapear as zonas infestadas e começar a trabalhar num plano para, no próximo ano, prosseguir a luta biológica, a única que tem sido eficaz na luta contra a praga.

Já este ano foram feitas 30 largadas em áreas afetadas de Barcelos, Ponte de Lima, Melgaço, Baião, Cinfães ou Mesão Frio, de parasitóides, insetos que se alimentam das larvas que estão nas árvores e são capazes de exterminar a vespa.

Cada largada pode rondas os 250 euros, um custo que o presidente da RefCast espera que não seja um entrave à luta biológica.

José Gomes Laranjo alertou ainda para as tentativas que se têm verificado de venda deste parasita aos agricultores, aconselhando-os a terem a certeza do que estão a comprar e evitar burlas.

Para debater os problemas do setor, realiza-se em setembro, em Vila Pouca de Aguiar, um encontro que vai juntar especialistas e produtores europeus.