A identificação dos corpos de três portugueses encontrados mortos na segunda-feira na aldeia suíça de Wilderswil ainda vai demorar alguns dias, disse esta terça-feira à agência Lusa a polícia de Berna.

A polícia cantonal de Berna abriu uma investigação dirigida pelo Ministério Público de Oberland que implica vários serviços especializados.

«Neste momento, está em curso uma investigação para determinar a sequência exata das mortes. A identificação pelos inspetores de medicina legal das pessoas falecidas também está em curso e vai demorar alguns dias», disse a polícia à Lusa.

A identificação dos corpos faz-se com base em elementos biológicos, dado que os documentos de identidade não são considerados suficientes para uma identificação formal.

Na investigação policial vai tentar-se compreender as causas e o contexto dos acontecimentos. Neste processo, a polícia irá também entrevistar os familiares e os conhecidos das vítimas, o que poderá demorar até três meses a estar concluído.

Esta segunda-feira, um casal de origem portuguesa foi morto pelo ex-marido da mulher e os corpos foram encontrados cerca das 07:00 horas perto da estação de Wilderswil. Todas as vítimas apresentavam lesões causadas por arma de fogo.

Por enquanto, os primeiros elementos da investigação policial indiciam um crime passional, alegadamente cometido por um dos homens encontrados mortos, que terá assassinado a sua ex-mulher e o companheiro atual desta, matando-se de seguida.

Os dois homens são naturais de Nadadouro, concelho das Caldas da Rainha, segundo confirmou à Lusa a presidente da Junta de Freguesia local.

De acordo com elementos da comunidade portuguesa local, a mulher seria oriunda da Madeira e trabalhava com a filha numa lavandeira em Interlaken, o marido trabalhava num hotel e o ex-marido estava neste momento entre Portugal e Suíça.

«A presidente da câmara de Wilderswil ainda está em choque com o que aconteceu», disse à Lusa o conselheiro da comunidades portuguesa na Suíça, Manuel Beja.

Num caso em que o alegado autor dos crimes está morto, a justiça não pode pronunciar um julgamento final. Isso torna o estabelecimento dos acontecimentos essenciais para as famílias das vítimas que procuram geralmente uma explicação.

«Este caso pode ser mais complicado do que se pensava inicialmente», apontou Manuel Beja.