Já se suspeitava que a carrinha que colidiu de frente com um camião em França, quando transportava 13 pessoas para Portugal, estava sobrelotada. A TVI confirmou que no documento único do veículo, uma Mercedes Sprinter, só constam apenas seis lugares.

Segundo as informações recolhidas pelos nossos enviados especiais, o proprietário terá avançado com mais três lugares, aumentando a capacidade para 9, mas não tratou da legalização.

Seja como for, no veículo seguiam ainda mais pessoas do que os lugares disponíveis, ainda que improvisados.

Há, ainda, suspeitas de que alguns passageiros estariam sentados numa espécie de cadeiras de praia, dobráveis, e que não teriam cinto de segurança.

As autoridades querem reconstruir a viatura com todos os destroços que foram recolhidos, no âmbito da investigação em curso.

Corpos trasladados na terça-feira

As famílias dos 12 portugueses que morreram no acidente não aceitaram o transporte dos corpos disponibiizado pelo Governo via avião da Força Aérea.

O secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, vai a França e tem "esperança" que na terça-feira de manhã todos os corpos possam estar libertos para serem trasladados para Portugal. Só depois disso serão realizados os funerais, ainda sem data certa.

Em choque, com um sentimento misto de dor e revolta, e até surpresa pelo tipo de condições da carrinha em que os emigrantes viajavam este ano, as famílias e amigos das vítimas tentam fazer o luto

Condutor internado em hospital psiquiátrico

O único sobrevivente, o condutor de 19 anos, está em estado de choque hospitalizado numa unidade psiquiátrica. Quem o conhece, garante que tinha experiência na estrada e que, inclusive, já tinha feito este percurso dezenas de vezes

Apesar deste acidente, continuam a ser planeadas centenas de viagens de emigrantes em carrinhas para Portugal.