O gerente da empresa onde Afonso Tiago estagiou durante seis meses em Berlim, Alemanha, lamentou a «notícia trágica» da morte do jovem português, adiantando que todas as pessoas que trabalharam com ele estão muito abatidas.

Corpo de Afonso Tiago encontrado

«Sabíamos que a esperança era pequena, mas é sempre muito mau quando se recebe uma notícia tão trágica, estamos todos muito abatidos», disse à Agência Lusa Ricardo Nadalini, gerente da filial da empresa portuguesa onde o jovem português estagiou nos últimos seis meses.

Por sua vez, o chefe do Departamento da Polícia Judiciária de Berlim para os casos de desaparecimentos, Hans Joachim Blume, que liderou as investigações, disse à Lusa que «infelizmente se confirmou uma hipótese que tinha sido colocada inicialmente» pelas autoridades alemãs.

«Infelizmente, confirmou-se uma das hipóteses que tínhamos colocado inicialmente e Afonso Tiago morreu no rio. Lamento muito e envio os meus sentimentos a família do jovem», acrescentou.

Família e amigos «muito abalados»

Contactado pela Lusa, o irmão de Afonso Tiago, António José Leite, disse que a família «recebeu a notícia no final da manhã de hoje» e que a Polícia referiu que a morte do jovem português «parece ter-se tratado de um acidente».

António José Leite disse não saber se a família se iria deslocar à Alemanha nas próximas horas ou dias e pediu compreensão por não fazer mais declarações.

Ivo do Carmo, a última pessoa que esteve com Afonso Tiago na madrugada do dia 10 de Janeiro, último dia em que o jovem português foi visto em Berlim, disse à Lusa que recebeu a notícia através de um outro amigo comum, que dividia o apartamento em Berlim com o agora falecido.

«Estamos todos muito abalados. Estávamos a espera do pior, temíamos que ele aparecesse morto porque já tinha passado muito tempo, e acabou por ser isso que aconteceu», lamentou o amigo.

Afonso Tiago, que tinha 27 anos, tinha-se formado recentemente em Engenharia Mecânica em Lisboa.

Natural de Oliveira de Azeméis, estava na capital alemã há seis meses como investigador na Active Space Technologies, quando saiu com um grupo de amigos dos quais se separou já na madrugada do dia 10 de Janeiro dizendo que ia para casa, onde nunca chegou, e não voltou a ser visto desde então.

Entretanto, os familiares e amigos de Afonso Tiago estão a procurar reunir-se em Oliveira de Azeméis, na residência dos pais do jovem investigador, cujo corpo apareceu esta sexta-feira no rio Spree, em Berlim.

Miguel Barreiro, que é amigo da família e foi o primeiro subscritor do apelo que reuniu 700 assinaturas para pressionar a investigação por parte da Polícia alemã, afirmou: «Ninguém estava à espera disto. Era uma hipótese, mas ninguém contava com esta notícia».

«As pessoas já deixaram imensas mensagens no blog», continuou Miguel Barreiro, referindo-se à página de Internet onde se pedia colaboração nas buscas.

Família sensibilizada

Miguel Ângelo Barreiro disse à Lusa que os pais e os irmãos do jovem de 27 anos «vão aguardar o desenrolar das investigações e os detalhes da autópsia», «mas acreditam que a morte dele foi um acidente e que o corpo só demorou tanto a ser encontrado porque caiu ou foi arrastado para uma zona de muito difícil acesso».

Ainda segundo Miguel Ângelo Barreiro, autorizado pela família a falar em seu nome, os familiares ainda não sabem quando é que o corpo do jovem regressa a Portugal. «Até lá, vão manter-se recolhidos», assegurou Miguel Ângelo Barreiro, «mas estão sensibilizados com as provas de solidariedade que têm recebido e agradecem esse apoio, assim como os esforços das autoridades».