Mais de duas centenas de entidades, entre sociedade civil e setor social, estão disponíveis para acolher e ajudar na integração os cerca de 5.000 refugiados que chegarão a Portugal, os primeiros 30 já na primeira quinzena de outubro.

Contactado pela agência Lusa, o atual coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), Rui Marques, deu conta que através do programa PAR Famílias há já 50 entidades que estão prontas para acolher e outras 50 que estão a ser avaliadas sobre se reúnem todas as condições necessárias.

No entanto, de acordo com o presidente da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS), que faz parte da PAR, o número poderá ser superior, já que só entre as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) estão contabilizadas mais de 60.

Segundo o padre Lino Maia, está a ser feito um levantamento junto das 2.800 instituições filiadas na CNIS para perceber quais conseguem reunir todas as condições necessárias ao acolhimento dos refugiados.

Rui Marques explicou que o programa PAR Famílias define um modelo de acolhimento comunitário, em que uma família de refugiados é acolhida por uma instituição anfitriã durante dois anos.

Cabe à instituição de acolhimento garantir alojamento autónomo, alimentação e vestuário adequados, apoio na procura de trabalho, acesso ao serviço nacional de saúde, apoio no acesso à educação e na aprendizagem do português.

Nesse sentido, o presidente da CNIS adiantou que a adesão das IPSS tem sido significativa, havendo, atualmente, “mais de 60 instituições que reúnem as condições”.
 

“Isto significa que, de momento, já poderiam vir para Portugal pelo menos 60 famílias de refugiados para IPSS”, apontou Lino Maia, acrescentando que até ao fim desta semana o número deverá aumentar.


Por seu lado, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas revelou que há, para já, “74 misericórdias que declararam a sua intenção de colaborar” no acolhimento dos refugiados.
 

“Agora temos de ver quantas destas misericórdias têm habitações, apartamentos, casas ou moradias que possam acolher estas famílias”, disse Manuel Lemos.


De acordo com o levantamento já feito, há pelo menos 10 misericórdias que têm casas próprias, entre elas Oliveira de Azeméis, Faro, Beja, Penafiel ou Castelo de Vide.

O presidente da União das Mutualidades Portuguesas revelou também que entre as 74 associadas, a atitude é de total disponibilidade.

“Temos cerca de 40 associações mutualistas na área da saúde, com clínicas, por exemplo, mas também associações com cantinas sociais, que também se disponibilizaram, ou outras que têm creches”, adiantou Luís Alberto de Sá e Silva.

Na opinião do representante das mutualidades, o segredo para um processo de acolhimento rápido está na articulação que está a ser feita entre todos os parceiros.

Na segunda-feira, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) assinou três memorandos com a Comissão Permanente do Setor Social e Solidário (CPSS), a Associação Nacional de Municípios (ANMP) e a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) para formalizar o levantamento das disponibilidades.