O Ministério Público (MP) pediu esta quinta-feira "justiça", sem especificar uma pena concreta, para sete seguranças de uma discoteca do Porto, juntamente com mais duas pessoas, por alegadamente terem agredido 46 clientes do espaço noturno entre 2010 e 2013.

Durante as alegações finais, no Tribunal São João Novo, no Porto, a procuradora do MP realçou que as imagens da discoteca, que fazem parte do processo, “retratam bem" a violência exercida por alguns seguranças sobre os clientes, fazendo referência ao ditado “uma imagem vale mais do que mil palavras”.

Os nove suspeitos, com idades compreendidas entre os 25 e 45 anos e que estão acusados de ofensa à integridade física agravada, não quiseram prestar declarações na primeira audiência de julgamento, a 16 de março de 2015.

“Os arguidos atuavam determinados pelo prazer de bater e de causar sofrimento aos ofendidos, agredindo-os gratuitamente, para sua própria satisfação e como mera demonstração de poder e de força”, refere a acusação.

De acordo com o relato do MP que a Lusa relata, um cliente foi agredido por estar a cantar alto na pista de dança e outro por ter afastado o tabuleiro do balcão do bar, por exemplo.

Outra das vítimas foi arrastada pelo cabelo até uma paragem de autocarros e, aí, abandonada, ainda segundo a descrição do texto acusatório.

Os presumíveis agressores atuavam sozinhos ou em grupo, tanto no interior como no exterior da discoteca.

Algumas das 46 pessoas agredidas, entre homens e mulheres, ficaram inconscientes e tiveram de receber tratamento hospitalar dado a gravidade das lesões, tendo mesmo sido operadas, afirma o MP.

“Tais comportamentos criam grande insegurança em todos aqueles que frequentam a noite na cidade do Porto, sendo um facto de enorme alarme social, principalmente porque a conduta criminosa é levada a cabo por indivíduos que têm por funções a manutenção da segurança desse tipo de espaços”, frisa a acusação.

Os seguranças privados foram suspensos da sua atividade profissional, proibidos de comunicar entre si e frequentar e permanecer junto a discotecas.

A leitura do acórdão está agendada para 11 de novembro, às 14:00.