A Porto Editora está envolta numa polémica depois de terem sido partilhadas imagens de uns blocos de atividades da editora destinados a crianças dos quatro aos seis anos. Em causa está o facto de os cadernos de exercícios estarem divididos por géneros, ou seja, um para meninos e um para meninas. Além disso, o exercício divulgado na imagem era mais fácil para as raparigas.

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Nas redes sociais, as fotografias dos livros tornaram-se virais e a editora tem recebido fortes críticas, sendo acusada de discriminação de género e sexismo.

 

 

 

A Porto Editora recusou as acusações “de sexismo e discriminação” e defendeu que os blocos de atividades “têm como objetivo desenvolver determinadas competências essenciais em idade pré-escolar, nomeadamente a atenção e a concentração”.

Em ambas as edições são trabalhadas as mesmas competências, na mesma sequência e com exercícios semelhantes. A diferença está na ilustração e na abordagem artística que as diferentes ilustradoras fizeram. E se há um exemplo em que o exercício no caso das meninas é aparentemente mais fácil, há vários outros em que os exercícios são aparentemente mais difíceis”, escreveu a Porto Editora num comunicado.

No Twitter, a editora escreveu ainda que os blocos de atividades “dão resposta a uma procura do mercado, daí estarem prestes a esgotar”.

Recusamos, perentoriamente, as acusações que nos são feitas e a associação destes títulos a uma postura sexista que não nos define nem àqueles que adquiriram estes livros. Trabalhamos todos os dias para fomentar a igualdade, tolerância e liberdade”, acrescentou a editora.

 

 

"É normal que haja diferenças"

O pediatra Mário Cordeiro defende que efetivamente existem diferenças de género, daí as alterações visuais, nomeadamente de cores e desenhos, nos blocos de atividades.

Os exercícios para férias têm que ser atrativos e apelativos para as crianças, por isso é normal que haja diferenças visuais nos blocos para meninos e para meninas. O que interessa saber é se os exercícios são adequados. Este tipo de exercícios deve ser engraçado e divertido e serve para relembrar a matéria que foi aprendida durante o ano."

Em relação ao grau de dificuldade, Mário Cordeiro refere à TVI24 que isso é “relativo”.

A facilidade é relativa. É importante ter em conta as experiências, o jeito e o desenvolvimento de cada criança."

No entanto, quanto ao exercício do labirinto diferente para meninos e meninas, que tem sido partilhado nas redes sociais, para o pediatra, este pode inferiorizar as crianças do sexo feminino.

A diferença é manifesta. Realmente quase se diria ser um "atestado de menoridade" às mulheres, mas não empolemos e falta o resto do livro."