A Porto Editora suspendeu a venda dos Blocos de Atividades para meninos e meninas que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) recomendou que fossem retirados por "acentuarem estereótipos que estão na base de desigualdades profundas".

A Porto Editora já suspendeu a venda destes livros e vai transmitir às livrarias e demais pontos de venda essa indicação”, indica um comunicado divulgado nesta quarta-feira.

A editora diz ainda estar disponível para trabalhar com a CIG no sentido de rever os exercícios que possam ser considerados discriminatórios ou desadequados nos blocos diferentes para meninos e meninas.

Porém, a editora “reafirma que as edições em causa não foram trabalhadas sob qualquer perspetiva discriminatória ou preconceituosa".

A Porto Editora vai sugerir o agendamento de uma reunião de trabalho com a CIG com a brevidade possível, depois de a Comissão ter recomendado a retirada do mercado dos Blocos de Atividades, alegando que podem promover a diferenciação do papel de género.

A CIG, por orientação do ministro-adjunto, recomendou à Porto Editora que retire estas duas publicações dos pontos de venda (…), no sentido de eliminar as mensagens que possam ser promotoras de uma diferenciação e desvalorização do papel das raparigas no espaço público e dos rapazes no espaço privado", lê-se num comunicado enviado pelo gabinete de Eduardo Cabrita.

A polémica com os dois blocos de exercícios, um para meninas, cor-de-rosa, e outro para meninos, azul, dos quatro aos seis anos, começou na terça-feira nas redes sociais, tendo já a editora negado, na sua página do Facebook, as acusações de discriminação de género e preconceito.

Destaca-se, a título de exemplo, numa atividade dirigida aos rapazes, a promoção do contacto com o exterior (campo, árvore, ancinho, águia, etc.), enquanto que para as raparigas a atividade apresenta cinco objetos, todos eles ligados a atividades domésticas (leite, manteiga, iogurte, alface e maçã). Ainda num outro exemplo, a proposta para os rapazes é a de um cientista construir um robô, enquanto que para as raparigas é a de ajudar a mãe a preparar o lanche", argumenta a Comissão.

Para a CIG, a Porto Editora, ao optar por lançar duas publicações com atividades que diferenciam cores, temas e grau de dificuldade para rapazes e raparigas, "acentua estereótipos de género que estão na base de desigualdades profundas dos papéis sociais das mulheres e dos homens".