A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) decidiu reclassificar o lince ibérico e retirar este animal da “lista vermelha” das espécies que estão “em perigo crítico” de extinção, foi divulgado esta terça-feira.

Depois de 13 anos de “grandes esforços de conservação” e uma avaliação das 77.340 espécies que integram esta “lista vermelha” da IUCN, o lince ibérico foi colocado na categoria de espécies “em perigo” de extinção, um nível menos grave, anunciou hoje o programa ‘Life+Iberlince’.

A evolução das populações deste felino, segundo explicou o programa Life+Iberlince, foi estudada por dois cientistas que concluíram que, após seis décadas de declínio, foi registado um crescimento regular entre 2002 e 2012.

Durante este período, a população de linces ibéricos atingiu os 156 indivíduos maduros, o que implicou passar de 27 para 97 fêmeas reprodutoras.

A área de presença desta espécie também registou um crescimento considerável.

Os responsáveis da IUCN, organização com sede em Gland (Suíça), destacaram esta “fantástica notícia” para o lince ibérico, afirmando que se trata de “uma excelente prova de que as ações de conservação funcionam realmente”.

A organização internacional referiu, no entanto, que o trabalho ainda não está terminado e que os esforços de conservação devem prosseguir, de forma a assegurar a expansão futura e o crescimento populacional da espécie.

Com o novo programa ‘Life+Iberlince’ (2011/2016) foi iniciada a recuperação da distribuição histórica do lince ibérico em Espanha e Portugal.

Um total de 19 instituições estão envolvidas neste projeto de recuperação. Este programa foi iniciado com a reintrodução de exemplares selvagens e de linces ibéricos oriundos de centros de reprodução em cativeiro no Vale do Guadiana (Portugal), no Vale de Matachel (na província espanhola da Extremadura), nas regiões de Guadalemellato e Guarrizas (Andaluzia, Espanha) e nos Montes de Toledo e na Serra Morena Oriental (Castilla-La Mancha, Espanha).

Nestas novas zonas, foram libertados, desde 2014, 43 exemplares, que estão a formar novas populações e a contribuir para a conservação da espécie.

O programa ‘Life+Iberlince’ considera essencial promover um plano nacional que trave os atropelamentos de linces ibéricos, a principal causa de morte destes animais.