O comentador Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que António Costa será um adversário mais «complicado» para o PSD do que António José Seguro, apontando o desgaste do líder socialista como o seu grande problema nas primárias do PS.

«É uma injustiça, no entanto, o grande problema dele [António José Seguro] é o desgaste dos três anos, ele está mais desgastado do que Pedro Passos Coelho, parece uma impossibilidade o líder da oposição estar mais desgastado do que o primeiro-ministro, mas está», afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma aula na Universidade de Verão do PSD.

Admitindo que para os sociais-democratas «o mais complicado é o António Costa», o também antigo líder do PSD contrapôs a frescura do presidente da câmara de Lisboa ao desgaste de António José Seguro, após três anos como secretário-geral socialista e líder da oposição.

«O António José Seguro tem contra ele o desgaste dos três anos da função, o que é uma injustiça», disse, lembrando que ele próprio passou por uma situação semelhante quando esteve na liderança do PSD, antes de passar o testemunho a Durão Barroso.

Além disso, acrescentou, António José Seguro «perdeu a chance da vida dele quando Cavaco Silva lhe ofereceu numa bandeja o poder», no verão passado, e ele recusou.

«Agora de repente aparece o outro fresquinho», gracejou, referindo-se a António Costa, que esteve «à espera, da janela do município» e nos últimos 100 metros da maratona é que se vai «equipar».

Marcelo Rebelo de Sousa, que respondia a perguntas dos alunos, voltou depois a referir-se às primárias do PS já no final da aula, considerando que vão ter «um efeito irreversível no sistema partidário português».

«São umas primárias coxas, incompletas, não têm nada a ver com as verdadeiras primárias americanas, mas criaram uma tendência com que o PS dificilmente volta para trás nisso», advogou, antevendo que os restantes partidos também terão que «inventar fórmulas» para responder «de modo muito melhor, mais rico do que tem sido».

«Têm sido muito pobres as primárias do PS», cita a Lusa.

Seguro votou na Guarda onde apelou à participação dos militantes nas eleições, naquelas que são uma antecâmara das primárias do partido.