A PSP da Feira ainda paga renda pela esquadra que desocupou em junho do ano passado, acumulando esse valor com os cerca de 3 mil euros mensais que custam as atuais instalações, confirmou esta quinta-feira fonte do comando distrital.

A situação foi inicialmente denunciada pela coordenação distrital do Bloco de Esquerda (BE), que a considera «inadmissível por estar em causa o desbaratar de dinheiro público».

Questionado pela Lusa, o comando de Aveiro da PSP confirmou a acumulação de rendas, mas remeteu os devidos esclarecimentos para a Direção Nacional da instituição. Será dessa estrutura a responsabilidade pelo pagamento das duas rendas, mas, igualmente contactada, a referida Direção não prestou quaisquer declarações sobre o assunto.

O BE, por sua vez, recorda que o novo posto operacional da PSP - instalado na Zona Industrial do Roligo para substituição do imóvel que a polícia ocupou durante mais de 20 anos no centro histórico da cidade - foi inaugurado a 13 de junho pelo então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

Na altura, e como noticiado pela Lusa, esse governante elogiou o facto de o custo do novo espaço (incluindo as respetivas obras de adaptação) ficar em «menos de 3 mil euros por mês». Miguel Macedo até realçava: «Oxalá fosse assim em todo o Estado, o que significaria que tínhamos uma gestão magnífica em todas as instalações que ocupamos».

O BE defende, contudo, que «estranhou» a opção pelo aluguer do novo imóvel, porque «existiam no concelho outras soluções, nomeadamente a ocupação de edifícios públicos pelos quais não se teria que pagar renda e que ofereciam as condições necessárias», como é o caso da antiga escola Fernando Pessoa.

«Mais estranho é saber-se agora que, afinal, a PSP continua a pagar também a renda da antiga esquadra, de onde se mudou há mais de meio ano e cujo edifício teve que abandonar por não ter o mínimo de condições», realça o partido.

Ainda segundo o comunicado do BE, a situação das rendas acumuladas também já foi denunciada à atual ministra da Administração Interna. A Anabela Rodrigues pede-se assim que explique as razões pelas quais a PSP da Feira «continua a pagar renda por instalações que não tinham o mínimo de qualidade e das quais já se mudou».