Um responsável do Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa foi detido pela Polícia Judiciária nesta terça-feira,  por suspeitas de corrupção passiva para ato ilícito e falsidade informática, confirmou a TVI junto de fonte policial.

Segundo foi possível apurar, um familiar deste chefe de equipa também foi detido.

Em comunicado, a PJ acrescenta ter detido um funcionário e um comparticipante pela presumível prática dos crimes de corrupção passiva para ato ilícito e falsidade informática.

Em causa está a manipulação do sistema informático da segurança social para anulação de dívidas, aumentos virtuais dos valores das reformas e atribuição de subsídios de desemprego mediante o recebimento de contrapartidas em dinheiro.

Durante a operação foram constituídos também 10 arguidos e realizadas buscas domiciliárias, a empresas e a um serviço público, onde a PJ contou com a colaboração dos respetivos dirigentes.

Os detidos vão ser presentes a tribunal para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação, conclui a nota da PJ.

A operação foi realizada por elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

O Instituto da Segurança Social (ISS) informou, entretanto, que a investigação que levou à detenção do chefe de equipa do centro distrital de Lisboa partiu de uma participação do instituto à Polícia Judiciária.

Em comunicado, o ISS afirma que a investigação foi desencadeada por uma participação do ISS à PJ e foi “o resultado de uma estreita articulação que o Instituto tem vindo a desenvolver com aquela entidade”.


“A investigação teve origem numa sinalização interna dos serviços de eventuais irregularidades e posterior auditoria e investigação, também internas, que terminaram com o envio de uma participação às entidades judiciárias competentes”, consta no comunicado.

Para a Segurança Social, esta situação é “o resultado da eficácia dos instrumentos e mecanismo de controlo interno que têm vindo a ser implementados no Instituto da Segurança Social ao longo dos últimos anos”.
 

22 buscas por desvio de subsídios de 25 ME


A Polícia Judiciária realizou também 22 buscas domiciliárias por suspeitas de fraude, desvio de subsídio e branqueamento de capitais no âmbito de dois programas comunitários, num total de quase 25 milhões de euros, anunciou a PJ.

Em comunicado, a PJ acrescenta ter efetuado buscas a domicílios, empresas e a escritórios de contabilidade durante uma operação realizada na Grande Lisboa, no Grande Porto, nordeste transmontano e na zona centro que mobilizou 50 investigadores.

A operação visou obter elementos de prova relacionados com a obtenção fraudulenta de fundos comunitários disponibilizados pelos programas de Desenvolvimento Rural (PRODER) e Operacional de Potencial Humano (POPH), envolvendo verbas na ordem dos 23,6 milhões de euros e de 1,2 milhões de euros, respetivamente.

A investigação foi realizada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).