A Procuradoria-Geral da República confirmou, esta quinta-feira, ao tvi24.pt que quatro inspetores da PJ estão a ser acusados de crime de tortura.

«Confirma-se que o Ministério Público deduziu acusação no âmbito de um inquérito que foi investigado no DIAP de Coimbra», afirmou fonte da PGR ao tvi24.pt.

Um inspetor-chefe da Secção Regional de Investigação do Tráfico de Estupefacientes da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária e três inspetores foram acusados da prática de «um crime de tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos graves».

De acordo com fonte da PJ, a acusação resulta da queixa de um suspeito traficante de droga da zona da Figueira da Foz que diz ter levado oito bastonadas de um inspetor da PJ para revelar onde teria escondido a droga. Os outros três inspetores são acusados por se concertarem em torturar a vítima com o mesmo fim.

Como se recusou a revelar o local onde teria escondido a droga, o suspeito de integrar uma rede de tráfico de drogas leves e pesadas foi agredido, com um bastão de um polícia com «pelo menos oito pancadas nas costas», no terreno de sua casa. O suspeito acabou por gritar e alguns vizinhos acorreram ao local.

O homem acabou por ser levado para a PJ, em Coimbra, onde foi interrogado e libertado.

O suspeito ainda afirmou que tinha sido agredido nas instalações da PJ, facto que veio a negar mais tarde. Apesar de ter sido suspeito de declarações falsas, o DIAP arquivou essa parte do processo.

Como prova das agressões, o suspeito apresentou um relatório do hospital onde lhe diagnosticaram «várias escoriações na região dorsal» cerca de uma hora depois de ter sido libertado.

Os quatro arguidos incorrem numa pena que pode ir até 12 anos, caso os crimes sejam provados em julgamento. Fonte da PJ adiantou ainda ao tvi24.pt que os quatro inspetores vão ser alvo de um procedimento disciplinar.