Por: tvi24 / PP | 22- 12- 2009 21: 46
O cardeal patriarca de Lisboa garantiu, esta terça-feira, que não estabeleceu qualquer «pacto» com o primeiro-ministro
quanto à legalização do casamento homossexual, realçando que a Igreja Católica tem liberdade de anunciar a sua doutrina sobre
esta questão quando for oportuno, escreve a Lusa.
Em carta dirigida aos párocos e às comunidades cristãs, divulgada,
D. José Policarpo revela, no entanto, que a possível legalização do casamento homossexual foi analisada em reunião com o primeiro-ministro,
José Sócrates, a 20 de Outubro.
«A possível legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo foi realmente abordada.
Mereceu um intercâmbio de perspectivas sereno e franco. O primeiro-ministro afirmou a sua determinação em avançar com o projecto,
o patriarca de Lisboa reafirmou a posição da Igreja e a disposição de a afirmar publicamente quando achasse oportuno», refere
D. José Policarpo.
Legitimidade legislativa do Estado
O cardeal patriarca de Lisboa sublinha que
a hierarquia da Igreja mantém «toda a liberdade de anunciar a sua doutrina acerca desta questão» e, embora reconheça «a legitimidade
legislativa do Estado, não deixará de interpelar a consciência dos decisores e de elucidar a consciência dos cristãos sobre
a maneira de se comportarem acerca de leis que ferem gravemente a compreensão cristã do homem e da sociedade».
«Acerca
de nenhum dos pontos abordados nesse encontro houve "pactos" ou "compromissos"», enfatizou D. José Policarpo, notando que
ambos «os interlocutores estavam conscientes da especificidade das instituições que representavam».
Nas palavras
de D.José Policarpo, nem o primeiro-ministro, José Sócrates, sugeriu qualquer "pacto", nem o patriarca de Lisboa podia assumir
«qualquer compromisso que significasse, ainda que indirectamente, o condicionamento da liberdade da Igreja de afirmar a sua
doutrina acerca de qualquer problema da sociedade portuguesa».
«A verdade acerca do casamento e da família»
Na
carta, afirma também que a hierarquia da Igreja Católica «usará os meios e os modos consentâneos com a sua missão» e rejeitará
«formas públicas de pressão política que os cristãos, no exercício dos seus direitos de cidadania, são livres de promover
ou de nelas participar».
«A doutrina da Igreja acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo é conhecida. Está
em questão uma alteração grave da compreensão antropológica do casamento, da sua dimensão institucional baseada num acordo
celebrado entre um homem e uma mulher, constituindo, assim, uma família, célula base da sociedade», lê-se ainda na carta,
também enviada à comunicação social.
O cardeal patriarca realça ainda que «não se trata de tomar posição sobre as
pessoas homossexuais», mas «de salvaguardar a verdade acerca do casamento e da família».
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