Os pedidos de habitação social em 2008 junto dos serviços da Câmara de Almada (PCP) duplicaram em relação ao ano anterior, revelou a autarquia, durante uma visita a alguns bairros sociais do concelho, refere a Lusa.

No total, registaram-se 4.500 pedidos no âmbito da campanha «Sim é possível uma vida melhor» promovida pelo PCP, através de José Lourenço, deputado na Assembleia da República, e de Rui Jorge Martins, vereador da habitação social na Câmara de Almada, que realizaram uma visita aos bairros sociais do Chegadinho (freguesia do Feijó) e António Gonçalves (Laranjeiro).

«No ano de 2007 tínhamos cerca de dois mil pedidos e um ano depois temos mais do dobro, isto é um termómetro da crise social que atravessamos e nós, autarquia, sentimo-nos impotentes por não conseguirmos dar a este assunto a resposta que gostaríamos uma vez que o Governo se demitiu desta questão de habitação social», explica Rui Jorge.

O edil revelou que no concelho existem cerca de 2.500 fogos de habitação social pertencentes ao Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE), um número semelhante ao que a autarquia possui, mas ainda existe «muita coisa por fazer» nesta matéria.

Nos últimos dois anos, a Câmara de Almada investiu cerca de dois milhões de euros numa «larga intervenção» no parque municipal de habitação social, explicou.

No bairro do Chegadinho, na zona mais antiga, vivem 180 famílias, no entanto, na chamada «zona nova», em 2006, foram realojadas as 200 famílias vindas da mata da Costa da Caparica que hoje deu lugar ao Jardim Urbano, construído no âmbito do Programa Polis.

No bairro António Gonçalves, foram realojadas 168 famílias que vieram dos prédios devolutos e inacabados que deram lugar às novas construções do bairro do Chegadinho, ambos construídos ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER), criado pelo Governo para erradicar as habitações precáris nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Para o deputado José Lourenço, o PER foi uma «vitória» mas só para o realojamento das famílias que «vivem em barracas» porque as famílias que «vieram das Beiras e Alentejo» e que moram há vários anos em «partes de casas e anexos» que se vão degradando com o passar do tempo «não têm direito a realojamento».

Num debate promovido no final da visita, o deputado referiu que gostava que fosse «aprovado» um projecto lei sobre o «ajustamento das rendas».