Das 108 instituições que integram a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) para acolher migrantes, só 13 receberam famílias, no total de 61 pessoas, sendo que só foram transferidas verbas europeias em relação a duas delas.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da PAR confirmou que a celebração dos protocolos com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a posterior transferência das verbas comunitárias "continuam a ter atrasos".

"Mas o que mais importa é acolher as famílias e esperar que rapidamente o Estado português e as instâncias europeias resolvam esta questão", defendeu Rui Marques.

No entanto, o responsável adiantou que, entre dezembro e maio, a PAR, através das instituições anfitriãs, acolheu 13 famílias, no total de 61 pessoas, entre as quais 35 crianças.

"Dos 13 protocolos, só estão assinados, e com a transferência feita, dois", revelou Rui Marques, acrescentando que, em relação a esses dois protocolos, só recebeu 50% da verba, como aliás está definido.

O coordenador da PAR disse que a organização está na expectativa para ver quando é que o Estado português vai dar seguimento aos próximos protocolos, já que sem este documento não há a respetiva transferência de verba.

Rui Marques frisou que as organizações que já estão a acolher refugiados "estão a dar o seu melhor", admitindo que tiveram de recorrer a fundos próprios para fazer face às necessárias despesas.

Segundo o responsável, Portugal recebeu até hoje 247 refugiados recolocados, o que torna o país no terceiro, em termos absolutos, a receber mais pessoas, logo atrás da França e da Finlândia.

Dados que levam o coordenador da PAR a sublinhar que é falsa a ideia de que os refugiados não querem vir para o país.

A denúncia dos atrasos em relação às transferências das verbas comunitárias previstas para as instituições que acolhem os refugiados recolocados já tinha sido feita pela presidente do Conselho Português para os Refugiados em finais de abril.

Posteriormente, o Ministério da Administração Interna fez saber que a responsabilidade estava do lado da União Europeia, que se tinha atrasado a transferir as verbas, mas garantiu que o problema estaria resolvido nas semanas seguintes, ou seja, nas primeiras semanas de maio.