As autoridades de saúde estão preocupadas com o regresso de casos de doenças que estavam eliminadas em Portugal, sendo que o Plano Nacional de Vacinação as cobre.

Recentemente, surgiram seis casos de sarampo, assim como um surto de papeira na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. No ano passado, houve ainda um aumento de casos de tosse convulsa: em dezembro, tinham sido registados 526 casos, quase o dobro de 2015.

Teresa Fernandes, técnica superior do Plano Nacional de Vacinação, esteve na TVI24 a esclarecer dúvidas sobre estas doenças e as respetivas vacinas:

  1. - “Estas doenças não desapareceram do mundo e Portugal está sempre em risco de importar casos. Há casos esporádicos que podem gerar casos secundários, mas, como a grande generalidade da população está vacinada, a transmissão do vírus é contida e não surgem surtos grandes.”
  2. - “Desde 2004 que não temos transmissão endémica do sarampo em Portugal, mas há sempre casos importados. As pessoas que não estão vacinadas estão em risco quando viajam para países com surtos dessas doenças na Europa.”
  3. - “Quem nasceu antes 1970 com certeza teve a doença, antes da vacinação. Os que nasceram depois, na era da vacinação, o vírus já não circulava no país. Nunca se consegue vacinar toda a gente, mas há imunidade de grupo.”
  4. - “Os pais estão a cumprir o Plano Nacional de Vacinação, mas o risco continua e as pessoas devem cumprir os prazos de vacinação.”
  5. - “A vacina contra o sarampo é recomendada, a primeira dose, aos 12 meses. Essas crianças são as mais suscetíveis e apelamos aos pais que não se atrasem nesse prazo. A segunda dose é aos 5 anos.”
  6. - “Os adultos que não foram vacinados contra o sarampo, podem e devem sê-lo agora. Verifiquem os boletins e dirijam-se aos centros de saúde para serem vacinados.”
  7. - “A papeira é uma doença controlada, mas, de vez em quando, surgem surtos limitados de doença ligeira mesmo em pessoas vacinadas. Essas pessoas já foram vacinadas provavelmente aos cinco anos e há uma diminuição da imunidade ao longo da vida, o que não quer dizer que não estejam parcialmente protegidas.”
  8. - “A prevenção do tétano depende exclusivamente da vacina. Quem não é vacinado fica suscetível à doença, que não é transmissível pessoa a pessoa. Agora a vacina passou a ser com intervalos maiores, porque chegou-se à conclusão que é muito eficaz. Os adultos, a partir dos 25 anos, fazem de 20 em 20 anos. Aos 65, já se faz de 10 em 10 anos.”
  9. - “A tuberculose está controlada e daí continuar no plano só para grupos de risco. A vacina não evita casos, mas evita casos graves em crianças pequenas.”
  10. - “Sobre as vacinas que estão fora do plano mas os pediatras sugerem, a DGS recomenda as vacinas cuja efetividade está comprovada em termos de saúde pública. Em termos individuais, são os pediatras e os médicos de família que receitam. As vacinas que são licenciadas em Portugal são eficazes, portanto há sempre vantagens em fazê-las, mesmo que não estejam no plano, desde que o médico as prescreva. Mas as meningites que mais preocupavam os pais estão controladas pelo plano.”