A investigação ao desaparecimento de material militar em Tancos está a seguir a pista de mercenários portugueses que atuam por conta própria e transacionam armamento para "senhores da guerra".

Segundo o jornal Expresso, a investigação segue a pista de três a quatro homens que terão roubado o material de guerra depositado em dois paiolins em Tancos.

Estamos a seguir a pista destes mercenários que terão sido contactados por uma organização do crime internacional que lhe encomendou o material", contou ao Expresso, uma fonte próxima do processo.

De acordo com o jornal, os mercenários portugueses são antigos soldados das tropas especiais.

Terão contactos com milícias do Norte de África, mas também com grupos separatistas da Córsega francesa e máfias europeias.

A investigação, segundo o jornal, inclina-se para a pista dos mercenários, que terão tido a cumplicidade de alguém do interior da base de Tancos, que os terá informado, por exemplo, sobre os intervalos entre as patrulhas.

Militar detido em abril

Com o desaparecimento do material de guerra em Tancos, a investigação da Polícia Judiciária tomou também em linha de conta um caso ocorrido em abril do ano passado, quando 12 pessoas foram detidas em Vila Real por tráfico de armas.

Tinham na sua posse um arsenal tão vasto que chegou para encher dois camiões. Um dos então detidos era um sargento-chefe que prestava serviço no Regimento de Paraquedistas de Tancos.

Agora, há duas semanas, a investigação acredita que os assaltantes terão carregado à mão caixas de madeira, com um peso máximo de 20 quilos, que continham material de guerra. Depositaram o armamento num veículo, estacionado de forma a sair rapidamente até chegar à autoestrada A23.

Segundo o Expresso, nos paiolins ficaram mísseis, provavelmente por serem mais pesados e difíceis de transportar.

Havia material mais valioso e mais perigoso do ponto de vista ofensivo que ficou no local. Foi uma lista de supermercado", salienta um militar que esteve em Tancos, ao jornal.