O antigo inspetor da PJ Paulo Pereira Cristóvão, detido na terça-feira por suspeita de associação criminosa, roubo e sequestro, chegou esta quarta-feira, pouco antes das 14:00, ao Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, numa viatura não identificada.

Pouco depois, outra viatura não identificada trazia outro arguido, um elemento da claque do Sporting, conhecido por «Mustafá».

Cerca das 14:20 chegou o advogado de Pereira Cristóvão, Paulo Farinha Alves, que confirmou ser o advogado do antigo inspetor da Polícia Judiciária (PJ) e ex-vice presidente do Sporting, escusando-se no entanto a prestar quaisquer declarações sobre o processo.

Os arguidos vão ser ouvidos esta quarta-feira pelo juiz Carlos Alexandre, enquanto o Ministério Público é representado pelos procuradores João Melo e Vitor Magalhães.

Os factos de que os arguidos são acusados terão sido praticados entre janeiro e julho de 2014.

De acordo com fonte policial, em declarações na terça-feira à Lusa, o antigo inspetor da PJ é acusado de ter fornecido «informação útil sobre as vítimas» à associação criminosa a que pertencia, sendo um dos «mentores» dos roubos e sequestros perpetrados pelo grupo.

Pereira Cristóvão, de 45 anos, que iniciou a carreira na PJ como segurança, antes de ingressar na carreira de inspetor, é suspeito de «fornecer informações úteis aos autores materiais» de crimes de roubo e sequestro, na zona de Lisboa e Setúbal.

Em novembro de 1990, entrou para os quadros da PJ de onde saiu no início de 2007, para fundar uma empresa de consultoria e investigação. Na PJ foram-lhe atribuídos alguns processos mediáticos, nomeadamente o «caso Joana», sobre o desaparecimento de uma menor no Algarve que levou à detenção da mãe.

Os detidos na terça-feira, juntamente com outros doze suspeitos detidos desde meados de 2014, integravam uma organização criminosa dedicada ao roubo no interior de residências, que simulavam tratar-se de verdadeiras ações policiais para cumprimento de buscas domiciliárias judicialmente ordenadas, tendo mesmo, nalguns casos, utilizado as suas próprias fardas para assim melhor credibilizarem as suas ações.

Paulo Pereira Cristóvão foi vice-presidente do Sporting durante o mandato de Godinho Lopes (2011 a 2013), depois de ter sido candidato à presidência do clube, tendo perdido as eleições para José Eduardo Bettencourt.