A Scotland Yard lançou hoje um site traduzido em português e pretende usar as redes sociais para tentar chegar aos portugueses e obter informação relevante sobre o desaparecimento de Madeleine McCann, revelou hoje o detetive chefe Andy Redwood.

A página de internet diz respeito ao apelo público lançado hoje para identificar um homem alegadamente responsável por ataques sexuais graves a cinco crianças britânicas com idades entre os 07 e dez anos, num total de 12 ocorrências registadas com famílias britânicas entre 2004 e 2006 no Algarve.

«Estamos a direcionar [a informação] às comunidades que são afetadas e a portuguesa foi claramente afetada no sentido em que estes crimes aconteceram no Algarve. Por exemplo, estamos a usar meios como o Facebook, em que conseguimos promover a nossa informação e os nossos apelos», afirmou à agência Lusa.

Além de inglês e português, a página [http://www.met.police.uk/madeleine-mccann-appeal/] está também traduzida em holandês e alemão, idiomas de duas das principais nacionalidades de turistas no sul de Portugal.

«É uma questão de sermos inteligentes e de usarmos todos os meios de comunicação para conseguir que a nossa informação tenha o alcance máximo possível e, em particular, para conseguir as respostas que tanto desejamos», justificou.

Este é o terceiro apelo público feito pela polícia britânica, o último dos quais, em outubro, foi transmitido nas televisões britânica, alemã e holandesa, gerando mais de cinco chamadas telefónicas cuja informação está ainda a ser analisada.

As autoridades britânicas mantém a oferta de uma recompensa no valor de 20 mil libras (24 mil euros) a quem providenciar informação que identifique ou leve à detenção e julgamento do responsável pelo desaparecimento de Madeleine McCann, a 03 de maio de 2007.

A criança, então com três anos, encontrava-se no quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve.

Scotland Yard informou PJ antes de lançar novo apelo

A Scotland Yard informou a Polícia Judiciária antes de lançar hoje um novo apelo nos meios de comunicação social para encontrar o responsável por uma série de ataques sexuais a crianças no Algarve, garantiu o inspetor Andy Redwood.

«O meu colega, diretor [Luís] Mota Carmo, que está a trabalhar na delegação de Faro, compreende perfeitamente a natureza e amplitude da nossa investigação. Eu estive em Portugal na última quinta-feira, onde discuti as nossas intenções em relação a este apelo através da comunicação social. Tudo o que estamos a fazer é feito em entendimento total e aberto com os nossos colegas portugueses», afirmou o detetive.

Redwood, que encabeça desde 2011 a «Operação Grange», a investigação da polícia britânica ao desaparecimento de Madeleine McCann em 2007, disse ter viajado ao todo 26 vezes até Portugal para reuniões de «nível estratégico ou tático».

Porém, confessou «frustração» com a lentidão dos procedimentos de análise e aprovação das cartas rogatórias internacionais onde foram pedidas diligências e a aprovação para agentes britânicos acompanharem os polícias portuguesas estas ações.

«Nós trabalhamos de uma forma muito diferente no Reino Unido em termos da forma como a polícia atua. É apenas uma diferença. Mas o mais importante é que todas as nossas linhas de investigação estão enraizadas e direcionadas para Portugal e nós compreendemos e respeitamos as diferenças dos nossos sistemas, o que significa que as coisas avançam a velocidades diferentes. Há uma frustração do nosso lado nesse aspecto. Se fosse connosco e fosse um crime que tivesse acontecido em Londres, nós conseguiríamos avançar a uma velocidade diferente», admitiu à Lusa.

Andy Redwood confirmou que parte das três cartas rogatórias, enviadas para Portugal entre outubro e fevereiro, está ainda na Procuradoria-Geral da República, a quem cabe analisar e aprovar os documentos antes de os passar à PJ.