A Polícia Judiciária (PJ) deteve em 2016 vinte e duas pessoas por crimes de fraude informática, na cidade de Lisboa, um tipo de crime que está a crescer em todos os países, disse hoje à Lusa fonte da polícia.

De acordo com o inspetor-chefe Álvaro Tomé, da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T) da Polícia Judiciária, a fraude e a burla informática é o tipo de crime que mais tem crescido, prevendo-se que continue a aumentar com recursos cada vez mais sofisticados.

“Em 2015, só na cidade de Lisboa, foram constituídos 275 arguidos, enquanto em 2016 a PJ deteve 22 pessoas, número que tem vindo a aumentar este ano”, disse à Lusa Álvaro Tomé.

Segundo o inspetor-chefe da UNC3T, a maioria dos crimes são cometidos por pessoas de outros países que se deslocam temporariamente a Portugal e ocorre com dados de cartões bancários, conseguidos através de plataformas online, terminais e em máquinas multibanco (ATM), nestas últimas com recurso a sofisticados meios “muitas vezes difíceis de detetar” pelas próprias polícias.

“A maioria são pessoas de outros países que se deslocam a Portugal por pequenos períodos, apoderando-se de dados de cartões através de diversos meios, entre eles mecanismos e microcâmaras instaladas em máquinas de ATM”, sublinhou.

O inspetor-chefe da UNC3T da PJ, foi um dos oradores da conferência “Um alerta para a fraude online na indústria do turismo”, que decorre em Faro, organizada pela Safe Communities Portugal, uma associação que promove a segurança dos cidadãos britânicos residentes em Portugal.

A conferência pretende alertar para os perigos das fraudes e burlas com as reservas e arrendamentos de alojamentos turísticos algarvios através da internet.

Álvaro Tomé acrescentou que “há também comerciantes que sacam” dados de cartões e os vendem a terceiros.

“Todo o cuidado, é pouco. As pessoas não devem perder o seu cartão de vista quando o entregam para pagamentos em estabelecimentos comerciais e devem sempre confirmar os dados das empresas sempre que façam transações na internet”, alertou.

O inspetor-chefe da PJ, revelou ainda que um dos crimes informáticos que está a crescer, “é o chamado ‘jackpotting’, um sistema que permite fazer com que máquinas deem dinheiro.”

André Tomé, que representa Portugal na Europol para a área dos crimes económicos, disse ainda que os crimes de contrafação de cartões bancários têm diminuído, “isto porque vários países utilizam tecnologias de proteção, como na Europa a tecnologia EMV (leitura do chip) que tem minimizado, e de que forma, a fraude.”

“Há a clonagem do cartão a nível de banda magnética, e depois os levantamentos são feitos em países que não têm esta tecnologia implementada, como sejam a América do Sul e países da Ásia, o que torna mais difícil o trabalho da polícia, porque exige a colaboração internacional”, destacou.

Segundo o investigador, a Europol tem desenvolvido esforços com os designados terceiros estados (África, Ásia e América do Sul), no sentido de que seja aumentada a colaboração para uma maior rapidez nas comunicações para combater a burla e fraude informáticas.

André Tomé assegurou que Portugal “ainda é um país seguro” nesta matéria do cibercrime, acrescentando que “dos casos conhecidos, resultou uma elevada taxa de sucesso nas investigações, originando a deteção e prisão das pessoas dessas organizações criminosas que estão por detrás dos crimes.”

O responsável da UNC3T da PJ alertou para que as pessoas se mantenham alerta: “Se o cartão sair na caixa multibanco, se detetarem algum dispositivo solto, não o retirem e alertem as policias, quando digitarem o código “pin” devem por a mão por cima do teclado para evitar a visualização através de câmaras.”