O Procurador-Geral da República (PGR) considerou, esta sexta-feira, que o caso Freeport já devia estar resolvido e garantiu que se for preciso o primeiro-ministro será «chamado a depor», refere a Lusa.

«Em minha opinião, de quem tem 42 anos de magistratura, este processo, de 2004 até hoje, não se justificava tanto tempo. Este processo penso que já devia estar esclarecido, com acusados, sem acusados, com arguidos, sem arguidos», disse Pinto Monteiro em entrevista à Antena 1, alegando que nada justifica o tempo de duração do processo.

Quanto à eventualidade de José Sócrates poder vir a ser ouvido no decurso das investigações, Pinto Monteiro assegurou que se isso se justificar para os investigadores tal acontecerá, mas que o Ministério Público não ouvirá alguém «só para satisfazer certas pessoas».

«Se o primeiro-ministro é chamado, com certeza que será chamado. Quem diz o primeiro-ministro diz toda a gente. Há muitos processos aí que metem figuras públicas. Todas as figuras públicas serão ouvidas. Agora não é só para satisfazer aí certas pessoas que gostariam de dizer que foi ouvido o ministro das Finanças, do Planeamento, da Economia, a chefe da oposição, o líder do PCP ou do BCP. Não vamos ouvir ninguém a pedido», disse o PGR.

Contudo, se «houver qualquer indício de que haja interesse em ouvir como testemunha, como arguido ou como suspeito», quem tiver que depor «será ouvido».

Ainda quanto ao caso Freeport, Pinto Monteiro afirmou que «não é verdade» que tenha aberto uma guerra com a Polícia Judiciária, como referiu a comunicação social, negando que alguma vez tenha censurado o trabalho deste órgão de polícia criminal. A inspecção que vai fazer o levantamento das diligências efectuadas na investigação do caso Freeport, disse, «não é para censurar a Judiciária».

Pinto Monteiro revelou que o caso Freeport tem, até ao momento, dois arguidos e que a aceleração do processo visa também responder a uma eventual prescrição.

Criminalidade violenta «estacionou»

Falando do seu mandato como PGR desde Outubro de 2006, Pinto Monteiro salientou que «nunca tanta gente importante foi investigada em Portugal», indicando que bancos e políticos estão a ser investigados e que «não há ninguém que não seja investigado» se for necessário.

Pinto Monteiro voltou a apontar dificuldades em investigar a criminalidade económica em Portugal, queixando-se que faltam especialistas neste domínio.

Na entrevista, Pinto Monteiro disse que «houve um aumento da criminalidade violenta em Portugal em 2008», mas ter informações que, ultimamente, «estacionou».

Quanto ao futebol, o PGR revelou que estão a ser investigadas transferências de jogadores, mas não concretizou situações.