Uma advogada britânica iniciou uma petição de apelo ao boicote ao turismo em Portugal que já recolheu mais de 3.000 assinaturas para pressionar as autoridades portuguesas a proteger os cavalos de maus tratos que considera terem atingido «níveis epidémicos».

«Comecei esta petição por causa do meu desgosto ao ver o estado dos cavalos no Algarve, que visito regularmente. O cenário é tão angustiante que não consigo visitar mais [Portugal], o que é uma grande pena porque antes eu adorava ir a Portugal», justificou Susan Clark à agência Lusa.


Lançou a petição eletrónica intitulada «Stop the Cruelty to Horses in Portugal» [Parem com a Crueldade aos Cavalos em Portugal] para tentar dar visibilidade ao problema e apelar ao boicote de outras pessoas.

A petição [ http://www.thepetitionsite.com/228/269/622/stop-the-cruelty-to-horses-in-portugal/] é ilustrada com a fotografia de um cavalo com um aspeto malnutrido abandonado na berma de uma estrada, situação que a britânica diz ter acontecido recentemente na estrada N125, no Algarve.

Em poucas semanas angariou mais de 3.000 assinaturas de pessoas não só do Reino Unido mas também da Alemanha, França, Holanda, ou EUA, bem como de Portugal, o que espera que angariar mais apoio.

O boicote das milhares de pessoas que assinaram a petição pode privar Portugal de um rendimento substancial para o país: o Reino Unido foi o principal mercado emissor de turistas nos primeiros nove meses do ano.

A advogada responsabiliza as autoridades nacionais por não fazer respeitar as normas europeias de proteção aos animais, mesmo se compreende que o país atravessa uma crise financeira.

«Se as pessoas não têm dinheiro para manter os seus cavalos, então deveria ser criada uma organização social (ou programa de abate) devidamente financiada. E a polícia ou autoridades precisam de ser capazes de apreender os animais se estes não são bem tratados», sugeriu.


Susan Clark diz ter trocado correspondência por email com o deputado eleito pelo Algarve Cristóvão Norte, que lhe disse estar a tentar que a legislação de defesa de animais domésticos seja também aplicada aos cavalos, mas receia que o processo demore.


«Isto precisa de acontecer mais cedo porque o sofrimento é horrendo. Os cavalos são muito mais sensíveis do que outros animais de quinta e merecem ser tratados de forma adequada», argumentou.


Em último recurso, afirmou acreditar que «seria melhor abater os animais do que deixá-los morrer de forma, desidratação e excesso de trabalho».

Contactado pela agência Lusa, o Turismo de Portugal afirmou não ter intervenção nesta matéria, remetendo essa responsabilidade para a Direção de Serviços de Proteção Animal (DSPA), da Direcção Geral de Alimentação e Veterinária, e para o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA).

Um responsável afirmou ter informação de «dois ou três episódios de cavalos abandonados, mas que não refletem de forma alguma a relação que os portugueses têm com os cavalos e a maneira como os mesmos são tratados em Portugal».