Mais 160 mil fiéis participaram no ano passado nas missas oficiais celebradas no Santuário de Fátima, num total de 3,489 milhões de pessoas, quando em 2012 esse número foi de 3,328 milhões de peregrinos, anunciou esta quinta-feira a instituição.

Dados disponibilizados no decurso de mais um encontro de hoteleiros e responsáveis de casas religiosas que acolhem peregrinos, no Santuário de Fátima, indicam, por outro lado, que se registou um decréscimo de fiéis noutro tipo de celebrações oficiais, como a procissão das velas ou a recitação do terço.

Nestas celebrações, num total de 1.641 em 2012, estiveram 2,696 milhões de pessoas, enquanto o ano passado o santuário registou 2,357 milhões de fiéis em 1.643 cerimónias, o que representa um decréscimo de cerca de 338 mil peregrinos.

Já as missas oficiais totalizaram 2.539 em 2013, menos dez do que no ano anterior.

Quanto às peregrinações organizadas - as que são comunicadas aos serviços da instituição -, em 2013 houve 4.309 grupos, nacionais e estrangeiros (em 2012 foram 4.254), num total de 567.964 peregrinos (mais 52.064 fiéis que no ano anterior, aumento que se deve aos nacionais).

Os espanhóis continuam a ser os estrangeiros que mais visitam o santuário em peregrinações organizadas, seguidos pelos italianos, polacos e brasileiros, confirmando-se a tendência verificada nos últimos anos no maior santuário mariano do país.

De Espanha, o templo contabilizou em 2013 - ano em que houve peregrinações de 86 países estrangeiros - cerca de 31 mil fiéis, o dobro, por exemplo, de Itália.

A informação hoje disponibilizada revela, também, que o número de pessoas que se confessa no santuário continua a decrescer desde 2009, registando o ano passado o valor mais baixo: 115.112 penitentes.

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, reconheceu existir «uma diminuição dos peregrinos estrangeiros», destacando os de Espanha e Itália, e referindo que se trata de países que estão a atravessar, como Portugal, dificuldades financeiras. «Mas tivemos um aumento - que superou essa quebra - de peregrinos portugueses», realçou.

À Lusa, o reitor considerou que a peregrinação está em «permanente mutação», sendo que o acolhimento aos peregrinos obriga a instituição a estar sempre atenta «às alterações que se vão produzindo», de forma a adequá-lo «às reais necessidades».

«Maio continua a ser a grande peregrinação, mas atualmente o 10 de junho congrega habitualmente mais peregrinos que outubro ou agosto», notou o sacerdote, admitindo que «durante muitos anos, o Santuário de Fátima vivia um tempo de seis meses de funcionamento pleno, a que se seguiam mais seis meses 'a meio gás'».

«A afluência fica muito condicionada pelo facto de os dias 12 e 13 de maio e outubro ocorrerem ao fim de semana ou em dias laborais. Além disso, os domingos tornaram-se dias de grande ou moderada afluência, o que antes não acontecia», declarou, salientando que esta situação levou o santuário de Fátima a rever o seu programa.

Nesse sentido, Carlos Cabecinhas informou que foi delineado «um programa base que se mantém durante todo o ano, porque durante todo o ano» há peregrinos que procuram o templo, justificou, garantindo: «Qualquer peregrino que venha ao Santuário neste período do ano não fica dececionado por não poder participar nas celebrações ou encontrar os serviços encerrados.»