Por: Redacção / CLF | 31- 5- 2011 12: 1
Os produtores de frutas e hortícolas portugueses duvidam que os casos mortais de contaminação por uma bactéria registados
na Alemanha estejam relacionados com a produção de pepino, levantando a hipótese de problemas no armazenamento dos produtos,
escreve a Lusa.
Para Domingos dos Santos, presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas
e Hortícolas (FNOP), dificilmente os pepinos transmitem a bactéria Escherichia coli.
«Custa-me a aceitar que este
tipo de bactéria seja transmitida pelos pepinos. Estes agentes patogénicos não atacam os vegetais. Não é um produto transformado,
é uma verdura que é colhida. Se houvesse algum problema seria por contaminações cruzadas. Por exemplo, através de um armazém,
havendo uma contaminação superficial», refere.
Reiterando ter «sérias dúvidas» que o problema seja provocado pelos
pepinos, o responsável também vê com dificuldade que possa ter havido contaminação através do transporte.
«Dificilmente
terá sido o transporte, que é normalmente refrigerado. [Os legumes] podem não ter estado nas condições de armazenamento adequadas»,
afirma.
O presidente da FNOP sublinha que não devem ser criadas situações de alarme sem antes se identificarem as
causas, recordando que o vector de transmissão da bactéria ainda não foi detectado.
Aos consumidores, Domingos dos
Santos assegura que o mercado horto frutícola em Portugal «tem um nível de segurança muito elevado, mas aconselha sempre higiene:
«Devemos lavar sempre fruta e legumes».
Até ao momento, a FNOP não tem dados que indiquem eventuais quebras de consumo
de pepino, legume em que Portugal é auto-suficiente.
Contudo, para o presidente da federação, este argumento pode
«iludir o consumidor»: «num mercado livre podemos sempre importar ou exportar».
A bactéria Escherichia coli está
geralmente presente nos intestinos dos animais.
Segundo o especialista em saúde pública Mário Durval, a estirpe em
causa da bactéria produz toxinas que podem levar ao rebentamento dos glóbulos vermelhos, deixando de haver coagulação do sangue
eficaz e fazendo-o sair pelos rins, bloqueando-os, explicou. O período de incubação da doença pode ir dos três aos oito dias.
O
perito alerta que não há possibilidade de contágio directo, como numa gripe ou síndrome respiratório, em que há riscos de
infecção pessoa a pessoa.
«Tem de haver consumo ou contacto com fezes», especifica.
Centenas de pessoas
foram contaminadas, registando-se na Alemanha um total de 1.200 casos, entre suspeitos e confirmados. Há pelo menos 14 mortos.
Quando
a crise surgiu, a Alemanha afirmou que os pepinos que terão causado a infecção teriam origem em Espanha, o que levou países
como a Áustria, a Bélgica e a Rússia a fechar a porta a vários produtos espanhóis.
Programação - Semana de 26 de Maio a 1 de Junho
O Jardim das NotíciasAs crónicas diárias de Victor Moura-Pinto
CineboxOs filmes e as entrevistas exclusivas.
Portugal PortuguêsA voz aos autarcas e munícipes.