O presidente da Câmara de Leiria exigiu, terça-feira, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) «ação» no Pedrógão, onde a agitação marítima provocou danos, acusando esta entidade de fazer «zero» para travar o avanço do mar na única praia do concelho.

«Em 2012, foi feito o projeto e, até agora, fizeram zero», afirmou Raul Castro, na reunião do executivo municipal, na qual descreveu, socorrendo-se de fotografias, os estragos que o mar provocou desde o fim de semana naquela praia.

O autarca apontou o caso da rotunda junto à colónia balnear da Cáritas Diocesana de Leiria, onde desapareceu o paredão, o passeio e uma parte do alcatrão, os passadiços ¿ «a maior parte está inoperacional» ¿ e a destruição de uma «parte do muro de suporte» do Centro Azul, espaço onde no verão se realizam ações de sensibilização ambiental.

«Corre-se o risco de a situação se agravar se continuar a haver este tipo de marés», afirmou Raul Castro, explicando que, em setembro, quando ocorreram os «primeiros danos», a APA foi contactada.

Segundo o presidente do município, a APA transmitiu então que «tinha o plafond esgotado», pelo que sugeriu ser a autarquia a candidatar a obra, à data orçada em meio milhão de euros.

«A obra é da Administração Central, porque é que a câmara se há de meter nisto?», questionou o autarca, eleito pelo PS, salientando: «Nos outros lados, foi a APA que assumiu toda a despesa (¿). Isto é estar a lançar para a câmara responsabilidade».

O responsável, que enumerou os contactos estabelecidos com a agência, referiu que, neste momento, dado o agravamento do problema, «o projeto vai ter que ser alterado», pelo que a intervenção para travar o avanço do mar «vai custar mais dinheiro», desafiando a APA a assumir a candidatura, «porque se há dinheiro para uns, tem de haver para outros».

O autarca adiantou que está prevista, ainda, uma segunda intervenção na praia sul do Pedrógão, que «tem garantia de financiamento», mas «está dependente de autorização» do ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

O vereador do PSD, Álvaro Madureira, reconheceu que a situação é «extremamente gravíssima e de emergência», considerando que, «neste jogo do empurra, é necessário tomar decisões em tempo útil».

«Propomos que sejam desenvolvidos todos os contactos com rapidez», declarou Álvaro Madureira, de forma a serem colocados meios no local.

Em resposta, Raul Castro disse comungar das «preocupações» do vereador da oposição, pedindo-lhe que «as transmita ao Governo», de que faz parte o partido de Álvaro Madureira, acrescentando: «Ninguém se preocupa com as praias da zona».

Em declarações à agência Lusa, o presidente do município apelou a «mais ação» da APA na praia, reiterando que a situação é de «emergência».

Em setembro, Raul Castro escreveu à APA a apelar a uma intervenção urgente para evitar o desabamento do passeio da marginal da praia.

Na missiva, o autarca solicitou «uma intervenção de consolidação urgente, por considerar que está em risco a segurança pública, já que o mar escavou a parte inferior do muro de suporte, destruindo grande parte dos passadiços que permitiam o acesso à praia».