O Presidente da República aconselhou, esta terça-feira, que sejam dadas explicações aos portugueses sobre como e quem está a gerir as verbas para apoiar as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, que deflagraram em junho.

Em declarações aos jornalistas, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que lhe foi dada uma explicação, em 17 de agosto, por responsáveis do Governo e das autarquias, que achou que "tinha lógica” e “era bom” os portugueses terem essa informação.

Questionado sobre é ao Governo que cabe dar essas explicações, o Presidente da República lembrou que existe “uma unidade de missão” a funcionar e coordenadores do trabalho no terreno, apontando, dessa forma, que poderia ser esta a entidade indicada para o fazer.

Era bom que os portugueses soubessem quem gere o quê", disse o chefe de Estado, para quem "deve ser explicado aos portugueses que só uma parte dos fundos é gerida pelo Estado e a outra é por outras entidades sociais, por escolha da sociedade civil".

"É possível a quem tem responsabilidades na Unidade de Missão dar esses esclarecimentos", afirmou o chefe de Estado, que falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Centro de Apoio Social, em Marvila.

A Unidade de Missão para o Interior, sediada em Pedrógão Grande, é chefiada pelo ex-presidente da câmara de Proença-a-Nova, João Paulo Catarino, uma escolha do primeiro-ministro, António Costa, anunciada em julho.

O Presidente evitou comentar de forma extensa a polémica dos últimos dias em torno das verbas para ajudar as vítimas dos fogos de Pedrógão, com suspeitas de autarcas de que há dinheiro a ser “desviado” e pedidos de intervenção do Ministério Público.

Se há “lapsos”, de duplas ajudas, por exemplo, “é bom” que sejam corrigidos, acrescentou.

fundo criado pelo Governo com os donativos particulares para as vítimas de Pedrógão Grande, o Revita, tem 1,9 milhões de euros quando o total estimado de transferências é de 3,2 milhões. A informação foi prestada pelo ministro Vieira da Silva ao PSD, que exige agora saber onde está o resto, ou seja, 1,3 milhões.

Teresa Morais lembra que o Governo entendeu que "devia ser ele a gerir" os donativos que os portugueses fizeram, pelo que defende ser "absolutamente imperioso" que o Executivo socialista "esclareça o valor do restantes donativos que não estão no fundo e que dê uma explicação aos portugueses acerca dessas quantias e de qual é o destino que lhe está a ser dado".

Mais de dois meses depois do grande incêndio de Pedrógão Grande, os autarcas da região suspeitam que as verbas recolhidas na onda de solidariedade para com as vítimas possam ter sido desviadas e pedem a intervenção do Ministério Público.

"Pacto de não-agressão"

O Presidente da República sugeriu um “pacto de não-agressão” entre partidos e candidaturas às autárquicas de 1 de outubro para não utilizarem na “campanha eleitoral local” a "tragédia dos incêndios" de Pedrógão Grande, que deflagraram em junho.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que deveria existir um “pacto de não-agressão entre os que vivem lá” para evitar que entre na campanha a polémica dos incêndios que começaram em Pedrógão, alastraram aos concelhos vizinhos e fizeram pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos.

Era bom que os incêndios, “a tragédia, as vítimas” não sejam “envolvidas na campanha local”, frisou Marcelo aos jornalistas, à margem de uma visita ao Centro de Apoio Social, em Marvila, Lisboa.