Uma semana e três dias depois da tragédia de Pedrógão Grande, muitas são as histórias surpreendentes de pessoas que conseguiram sobreviver, mas que viveram momentos de verdadeiro terror.

Um sobrevivente da Estrada Nacional 326-1 contou à TVI como conseguiu salvar-se de um cenário que descreve como “dantesco” e “aflitivo”.

Emocionado, desabafa que se considera “uma pessoa bafejada pela sorte” e que foi “abençoado”. Essa é a única justificação que encontra para ter conseguido escapar ao inferno da Estrada Nacional 236-1, onde morreram dezenas de pessoas, no dia 17 deste mês.

Naquele preciso momento, tudo estava a arder à volta de mim. A estrada tinha, do lado esquerdo, um monte de faxina em brasa. Do lado direito, havia pinheiros a arder, alguns a caírem na estrada”, descreve.

Conta que entrou na EN 236-1, que ficou conhecida como estrada da morte, e já não conseguiu voltar para trás. Ficou cercado pelas chamas.

Quis fazer marcha atrás, mas não consegui. Os vidros do carro estavam fechados, mas as chamas teimavam em infiltrar-se pelas frestas. Foi um cenário para além de dantesco, muito aflitivo”, acrescenta.

Achou que não ia conseguir escapar, que era o fim, mas é um homem de fé e afirma que sentiu uma força que o salvou.

Eu pensei que era ali, que tinha chegado a minha hora, mas aparece aquela força, que não tem explicação, mas sente-se.”

O incêndio que deflagrou no dia 17 deste mês, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou 64 mortos e mais de 200 feridos. O fogo atingiu também os concelhos de Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria. Chegou ainda a Sertã, no distrito de Castelo Branco e a Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra. O incêndio foi dado como dominado quatro dias depois.