Um português que trabalha na Guiné-Conacri disse esta segunda-feira viver «sem medo» neste país, um dos mais afetados pelo Ébola, e manifestou-se «admirado» por não ter passado por qualquer rastreio em Portugal numa viagem recente até aos Açores.

«Nada. Completamente nada. Uma coisa que me admirou bastante», disse Pedro Pinto à agência Lusa, referindo-se à ausência de rastreio em território português.

Este português, que trabalha há um ano e três meses no setor da construção civil em Conacri, esteve recentemente de férias nos Açores, depois de ter feito as ligações aéreas Conacri/Marrocos/Lisboa/Ponta Delgada.

Segundo afirmou, passou por medidas de controlo do vírus do Ébola em território africano.

«Fizeram-me as perguntas normais, se eu tinha febre ou diarreia, e fizeram-me o controlo de temperatura», explicou.

Pedro Pinto assegura estar a viver na Guiné-Conacri «sem medo» do surto de Ébola.

«Há sempre uma instabilidade mas eu não tenho medo senão não estava aqui, ia-me embora. Eu tenho intenção de continuar, quero continuar e vou continuar, tenho um contrato de trabalho para cumprir e vou continuar, sem medo, sem problemas», assegurou.

Pedro Pinto procura viver da forma mais «normal possível» mas não esquece as medidas de segurança, que passam, sobretudo, pela higiene e alimentação.

«Desinfetar as mãos várias vezes ao dia, tomar as devidas precauções, não tocar em muita gente, não participar de um aglomerado de pessoas. Não andar a comer macaco, morcego, cobra, porque há muitas zonas em África em que comem esse tipo de animais e também não comer carnes cruas ou carnes mal passadas», disse este português natural de Amarante, mas que há 14 anos se fixou nos Açores.

Pedro Pinto espera regressar já no próximo mês à ilha de São Miguel para visitar a família.