O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo sobre a fábrica Dura Automotive Portugal, na Guarda, e sobre as medidas que pensa tomar para acabar com a desigualdade salarial que diz existir em relação a outra unidade do grupo.

O deputado do BE, Pedro Filipe Soares, refere, em requerimento entregue na Assembleia da República (AR) e dirigido ao ministério da Economia, que os trabalhadores da fábrica da Guarda «indicam serem alvo de uma discriminação face a outros trabalhadores do grupo», que laboram na fábrica do Carregado.

«Existem desigualdades salariais entre trabalhadores que têm as mesmas funções e a mesma produtividade, apenas tendo como justificação a localização da empresa. Ora, esta desvalorização dos trabalhadores da Guarda é absolutamente lamentável», denuncia o deputado, que na semana passada esteve na Dura, ao lado dos trabalhadores, durante a realização de uma greve.

O partido «não aceita que possam existir trabalhadores de "primeira" e outros de "segunda", nem que os trabalhadores sejam prejudicados por serem do interior».

Aquele grupo económico «recebe e recebeu benefícios por ter investido no interior do país» e, por isso, o BE considera «inaceitável que se aceite como natural esta discriminação».

«Não será aceitável nivelar os rendimentos dos trabalhadores deste grupo por baixo, mas é igualmente inaceitável aceitar a desigualdade existente. A solução, portanto, é elevar os rendimentos dos trabalhadores da Guarda garantindo que "para salário igual, se tenha uma remuneração igual"», sugere o BE.

Pedro Filipe Soares lembra que os trabalhadores daquela unidade fabril estão em processo negocial com a empresa e o país não pode «ficar indiferente face a esta discriminação negativa do interior».

Afirma que o Governo também não pode ficar calado «perante uma empresa que recebe benefícios para investir no interior do país e que mesmo recebendo esses benefícios tem uma política negativa contra os trabalhadores do interior».

No requerimento entregue na AR, o BE pergunta ainda ao Governo se tem conhecimento desta situação e «que apoios foram dados à empresa Dura Automotive para compensar o investimento realizado no interior».

«Particularmente nos apoios ao tecido económico do interior, quais foram os montantes, em que períodos e com que contrapartidas a que a empresa teve acesso?», refere ainda o deputado Pedro Filipe Soares.

A fábrica da Guarda da Dura Automotive Portuguesa produz componentes para a indústria automóvel, tem 211 trabalhadores e está localizada em Vila Cortez do Mondego.