O Tribunal de Penafiel condenou hoje a 25 anos de prisão um antigo professor de educação física, do Marco de Canaveses, pela prática de 327 crimes de abuso sexual de nove crianças, entre os 8 e os 12 anos de idade.

Segundo o acórdão, o conjunto dos crimes provados em audiência, alguns dos quais na forma agravada, poderiam traduzir-se numa condenação superior a 900 anos de cadeia, se não houvesse o limite legal dos 25.

O homem estava acusado de 439 crimes de abuso sexual, cometidos sobre nove crianças. 

Os contactos sexuais com os vários menores, incluindo com um afilhado e sobrinho do arguido, do Marco de Canaveses, terão sido praticados entre 2008 e 2014, em várias localidades do país onde o professor deu aulas de educação física ou prestou serviços como treinador de futebol.

A sentença foi determinada por um tribunal de júri que incluía quatro cidadãos de Penafiel escolhidos aleatoriamente, a requerimento da defesa.

O tribunal censurou o "dolo intensíssimo" dos atos praticados pelo arguido, de 36 anos, com "consequências gravosas" para várias vítimas.

Os abusos terão começado com crianças num clube de futebol de Alpendurada, Marco de Canaveses, prosseguindo com menores de uma escola e de um clube de futebol da região de Lisboa.

No acórdão, concluiu-se que o professor se aproveitava do seu estatuto de docente e treinador de futebol e da ingenuidade dos rapazes para iniciar os contactos de cariz sexual.

A alguns dos menores, o ex-professor oferecia presentes para os seduzir e proporcionava-lhes períodos de férias na Madeira, em Lisboa e no Marco de Canaveses, durante os quais abusaria dos rapazes, com quem dormia, de forma continuada.

Sexo oral e anal, masturbação e contactos nos genitais de alguns dos menores eram comportamentos frequentes do arguido ao longo dos anos, censurou o tribunal.

O coletivo criticou ainda o facto de o antigo treinador de futebol das camadas jovens nunca ter admitido os seus crimes ao longo do julgamento, apesar da "contundência dos factos".

"O senhor sabia o que estava a fazer", advertiu o tribunal.


O arguido foi também condenado a pagar indemnizações de dezenas de milhares de euros aos ofendidos, a maior das quais ao seu sobrinho.

Ficou também impedido de exercer as funções profissionais por um período de 15 anos.

Ao anúncio da sentença assistiram alguns familiares das vítimas e no final da audiência alguns choraram.