O Sindicato dos Médicos da Zona Centro (SMZC) deu esta terça-feira (22) como certo o fim da Urgência de Neurologia no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, manifestando a sua preocupação.

«É com preocupação, mas sem surpresas, que o SMZC assiste a mais este episódio no Centro Hospitalar do Baixo Vouga. A aparente falta de estratégia deste ministro e deste conselho de Administração é na realidade uma estratégia de destruição dos Serviços Públicos e de precarização do trabalho médico», considera aquele sindicato em comunicado.

Segundo o relato do Sindicato, «o Serviço de Neurologia do CHBV é constituído por quatro médicos, dos quais três, em virtude da idade, estão já dispensados de realização de trabalho em urgência», pelo que o CHBV passa a contar com um «especialista em Neurologia no Serviço de Urgência apenas 12 horas por semana».

Para aquela estrutura sindical, «é manifestamente insuficiente» para aquele Centro Hospitalar e vai sobrecarregar o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

Os três médicos que vinham assegurando o Serviço em Urgência, «por sentido de missão profissional e por respeito pelos doentes e pelas populações» decidiram fazer valer «o seu justo direito à dispensa de trabalho em Urgência», face ao «clima de desmotivação que se vive no CHBV e em resultado das políticas do ministro da Saúde e das atitudes prepotentes do Conselho de Administração», refere o comunicado sindical.

«O SMZC responsabiliza o Ministro da Saúde pelo sucedido, uma vez que não foram abertos concursos públicos para Neurologia no CHBV que pudessem rejuvenescer os quadros deste serviço, e também o Conselho de Administração que não soube defender os interesses da instituição junto da tutela, de forma a cumprir a sua missão de prestar cuidados de saúde de qualidade às populações de Aveiro».

O Sindicato dos Médicos da Zona Centro diz ainda que «pode estar em risco o funcionamento da Via Verde de AVC e Trombólise no CHBV a muito curto prazo" e exige a abertura de concursos públicos para as carreiras médicas, de forma a colmatar rapidamente a grave falta de recursos humanos do CHBV nessa e noutras especialidades, não aceitando que as falhas de recursos humanos médicos sejam colmatadas pela subcontratação, através de empresas de trabalho temporário».

PCP responsabiliza Governo por «situação absurda»

A deputada do PCP Paula Batista responsabilizou esta quarta-feira o Governo por a urgência de Neurologia no Hospital de Aveiro só estar a funcionar 12 horas por semana por falta de médicos, considerando que se trata de uma «situação absurda».

Em conferência de imprensa à porta do hospital, a deputada acusou o Governo de restringir a contratação de médicos e de estar a centralizar cada vez mais serviços nos hospitais de Lisboa, Porto e Coimbra.

Paula Batista alertou que dada a situação daquele serviço do Hospital de Aveiro, os utentes têm de ser transferidos para Coimbra, sendo que, nos casos de doenças e acidentes cardiovasculares, que necessitam de socorro rápido, «uma hora ou hora e meia de demora pode pôr em causa a vida» das pessoas.

«Uma especialidade de neurologia de urgência a funcionar 12 horas por semana é no mínimo absurdo. Os doentes vão ter de ter hora marcada para poder adoecer e vir à urgência, o que não faz sentido nenhum», criticou.

A deputada do PCP advertiu que, «ao não se repor as equipas médicas necessárias para o funcionamento do serviço, vai haver uma sobrecarga de utentes no Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC), cujos serviços se deteriorarão também».

«Nada disto abona em favor do Serviço Nacional de Saúde, nem dos serviços de proximidade, nem da qualidade que é pretendida», disse a deputada.

«Coloquem os recursos humanos suficientes para que os hospitais funcionem. Os equipamentos estão cá e o que se tem feito é encerrar. O encerramento de serviços e de especialidades no distrito de Aveiro tem sido uma calamidade», comentou.