O SIRESP, Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança em Portugal, que está no centro da polémica após a tragédia de Pedrógão Grande, falha em várias zonas do país, inclusive em Lisboa, alertou Paulo Rodrigues, nesta quarta-feira, na TVI24.

Lisboa devia ser o sítio onde o SIRESP funcionaria melhor. Mas temos muitas zonas em Lisboa em que não funciona ou, pelo menos, em que existem zonas sombra. Se formos para Sintra, Cascais, Vila Franca de Xira ou Torres Vedras, ou se formos para os estádios de Alvalade, da Luz, MEO Arena ou Colombo vemos que há falhas de comunicações, ou seja, que a rede não abrange e não funciona devidamente”, disse o Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASSP/PSP).

Para Paulo Rodrigues, "o SIRESP tem muitas falhas ao ponto de criar condicionalismos nas comunicações para a resolução de ocorrências".

Ocorrências que podem ser catastróficas, até mesmo no aeroporto Humberto Delgado, onde também foram detetadas falhas.

Até hoje não tivemos nenhum problema no aeroporto, mas no dia em que acontecer vamos repetir esta situação, lamentar, fazer um conjunto de inquéritos… Não é preciso fazer inquéritos. Perguntem aos polícias que estão no aeroporto, que trabalham no MEO Arena, que estão no Colombo, onde falha o SIRESP. Não é preciso fazer nenhum estudo, os problemas estão identificados", avisou o responsável, lembrando que o aeroporto "devia ser o local onde existe a garantia de que nada falha".

Paulo Rodrigues reforçou que se tratam de "locais sensíveis", nos quais é preciso dar uma "resposta muito rápida e clara.

Conhecemos o SIRESP e aquilo que tem sido o SIRESP não é, no nosso entender, o que precisamos", insistiu.

O Presidente da ASSP/PSP reiterou que "não são situações de agora" e que "as falhas estão identificadas pelos profissionais há muito tempo".

É uma questão de gestão e de desvalorizar porque raramente acontece alguma coisa complicada como aconteceu em Pedrógão Grande. A verdade é que aconteceu. Se tivessem ouvido os profissionais anos antes dos problemas das comunicações as coisas tinham sido tratadas de outra forma", considerou.

Paulo Rodrigues disse, também, que a PSP enviou um documento ao anterior Governo e também já ao atual, sobre situações identificadas, que "colocam em causa a segurança das pessoas e dos polícias" e que por isso mesmo não foram tornadas públicas, mas sobre as quais não obtiveram qualquer feedback.

É preciso rever um conjunto de situações nomeadamente em casos de terrorismo e até hoje não tivemos resposta. Parece que estamos à espera de uma catástrofe", lamentou.