O ministro da Saúde anunciou esta quarta-feira que está a decorrer um concurso com vista a aumentar para 16 o número de entidades convencionadas para fazer colonoscopias. Na semana passada, a TVI testemunhou as filas à porta do Hospital da Ordem Terceira, para marcar uma colonoscopia. Houve até quem tenha passado a noite ao relento, à porta do hospital. 

Falando na Comissão Parlamentar de Saúde, em resposta a questões da oposição sobre as filas de espera dos utentes para poderem realizar aquele exame, Paulo Macedo lembrou que existem atualmente apenas cinco entidades convencionadas, “contratadas há 20 anos porque as convenções estavam fechadas”.

“Há a proposta de passar de cinco entidades convencionadas para 16. Legislámos e está a decorrer o concurso”, afirmou.


Sublinhando o “investimento” feito na área, o ministro indicou que de 2013 para 2014 aumentou 29% o número de exames, de 118 mil para 152 mil.

No que respeita apenas ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), o número de exames aumentou de 113 para 116 mil.

De acordo com a Europacolon - Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, o número de especialistas e clínicas que realizam colonoscopias em Lisboa é manifestamente insuficiente para as necessidades.

“Em Lisboa existem apenas seis unidades de saúde que realizam colonoscopias pelo SNS por um valor entre os 14 e os 28 euros, com anestesia. No sector privado os exames continuam a custar mais de 400 euros”, disse Vítor Neves, Presidente da Europacolon.

Para esta associação, “a capacidade de resposta para a realização de colonoscopias na região da Grande Lisboa continua a ser preocupante”.

No resto do país, acrescentou, “os exames são realizados em apenas duas semanas, o que nos leva a concluir que o número de especialistas e clínicas para a realização das colonoscopias, em Lisboa, é manifestamente insuficiente faca às necessidades”.

Na terça-feira, o secretário de Estado e adjunto da Saúde disse que “o Estado saberá encontrar a capacidade de resposta” para a realização das colonoscopias necessárias na região da Grande Lisboa.

“Nunca deixámos de estar dispostos a corrigir os valores”, disse Leal da Costa, deixando um aviso: “Existem valores que não voltarão a ser pagos”.