A Direção Nacional da PSP afirmou esta quarta-feira existirem respostas para o problema dos suicídios na corporação, avançando que as mesmas “estão testadas” e vão continuar a ser “melhoradas, para benefício de todos”.

“Faremos naturalmente nós próprios as considerações que importarem. As respostas existem, estão testadas e continuarão a ser melhoradas para o benefício de todos”, afirmou o porta-voz da Direção Nacional da PSP, Paulo Flor, numa nota enviada à agência Lusa.

Na terça-feira, num debate promovido pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), a Direção Nacional foi acusada de estar mais preocupada em “branquear o problema dos suicídios” de polícias do que em “atacar” a situação.

Paulo Flor escusou-se, no entanto, a comentar as posições sindicais depois de ser acusada de “branquear suicídios sem resolver problema”, lembrando que a “PSP não comenta as posições sindicais e respeita todas as interpretações que possam daí advir”.

A acusação partiu de diversos polícias, durante um debate sobre “a realidade policial”, realizado em Coimbra. Alguns dos intervenientes relataram casos concretos para ilustrarem as suas convicções, que também atingem o gabinete de apoio psicológico da Polícia.

Segundo o presidente da ASSP, Paulo Rodrigues, “a preocupação da direção [nacional da PSP] e da tutela é mais branquear do que prevenir e resolver o problema”, referindo que este ano “já se registaram sete suicídios” na PSP, quantidade só igualada em 2011 - “desde 2009, é de quatro a média anual de suicídios” na PSP.

Uma das razões que explica aquela taxa de suicídios relaciona-se com a falta de condições de segurança e higiene no local de trabalho, sublinhou o jurista e técnico de higiene e segurança no trabalho da CGTP Hugo Dionísio, um dos conferencistas convidados para o debate em que participaram mais de duas centenas de polícias.

Em 2009, a ASSP queixou-se da situação à Organização Internacional do Trabalho (OIT) e promoveu uma reclamação coletiva junto do Conselho da Europa. Ambas as instituições internacionais consideraram estar-se perante uma situação “não admissível” e que Portugal estava obrigado a ultrapassá-la, mas “continua tudo na mesma”, disse à agência Lusa, à margem do encontro, Paulo Rodrigues.

O Ministério da Administração Interna atribuiu a competência de fiscalização das condições de segurança e higiene na PSP à Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE), mas os responsáveis revelam que a tarefa continua a não fazer parte das atribuições deste órgão, por falta do diploma legal que lhe permita ter acesso e inspecionar o interior das instalações da PSP.