A situação no Parque Verde, de Coimbra, «é dramática» e os prejuízos sofridos com as cheias ocorridas na madrugada desta segunda-feira podem pôr em causa a sustentabilidade das empresas e levar a despedimentos, alertou o seu administrador.

«Não queremos despedir pessoas, mas se isto continuar torna-se muito complicado manter o formato atual», explicou António Silva, da administração do consórcio de empresas que gere o Parque Verde, esperando que a situação «se altere» e dizendo estar em conversações com a Câmara de Coimbra para encontrar soluções para «minimizar os prejuízos».

Segundo o empresário, a água entrou, ao início da manhã desta segunda-feora, dentro dos estabelecimentos, a esplanada está «alagada» e «há muita coisa afetada e degradada», depois de também já terem sofrido uma situação semelhante em janeiro.

Se as cheias continuarem, «o negócio não é sustentável nem viável», disse António Silva, explicando que, de momento, «há uma inexistência de receitas, mas os custos continuam».

O administrador disse à agência Lusa que ainda não sabe o valor total dos prejuízos. Contudo, avançou que «todos os proprietários estão preocupados» com uma situação que tem sido «mais recorrente do que seria esperado».

Apesar de admitir «não ter conhecimento técnico», o empresário considerou que o desassoreamento do Rio Mondego poderia diminuir «a frequência» das cheias no Parque Verde.

«Tentamos aguentar as coisas, mas não está fácil», desabafou, referindo que os empresários querem «evitar» o despedimento de funcionários.

A 07 de janeiro, o Parque Verde também tinha ficado parcialmente submerso.

As esplanadas estavam visivelmente afetadas, com as cadeiras e mesas submersas, a água entrava nos estabelecimentos e o parque infantil também se encontrava inundado, com alguns funcionários dos espaços a afirmarem que pouco havia a fazer, senão esperar que o nível da água baixasse.

Já na altura, José Torres, funcionário de um dos estabelecimentos, afirmou à Lusa que «são cerca de 20 pessoas» a trabalhar nas Docas do Parque Verde, começando a haver a «preocupação» de redução de pessoal.