O novo padre de Canelas, Gaia, voltou a ser escoltado pela GNR, depois de celebrar a missa de domingo, sob protestos de 300 paroquianos, que apelaram no exterior da Igreja ao regresso do antigo pároco.
 
As manifestações contra o novo padre, Albino Reis, que obrigam a intervenção das autoridades, decorreram todos os domingos desde que tomou pose no dia 9.
 
Roberto Sousa, antigo pároco de Canelas, foi destituído pela Diocese do Porto, sem explicações « legítimas» sobre a sua saída, o que levou a que Albino não caísse nas graças dos canelenses.
 
Motivo que leva muitos populares a não assistir às homílias. Este domingo, a eucaristia decorreu normalmente, com a igreja quase cheia, mas não tão lotada como o exterior, onde os manifestantes entoaram em coro «o padre é só um, Roberto e mais nenhum».
 
Miguel Rangel, responsável pelo movimento «Uma Comunidade Reage!», avançou à Lusa que, na ausência de uma explicação considerada « legítima», vários catequistas, leitores, acólitos e ministros de comunhão demitiram-se das suas funções.

Os habitantes estão ainda a recolher testemunhos para um livro a oferecer ao padre destituído, num jantar agendado para dia 6 de dezembro, numa homenagem aos oito anos de « dedicação» à paróquia.

Ao longo de meses, o movimento « Uma Comunidade Reage!» organizou um cordão humano, uma vigília, uma marcha silenciosa e recolheu 5.800 assinaturas para um abaixo-assinado que, posteriormente, foi entregue ao bispo do Porto numa reunião.

António Francisco dos Santos, bispo do Porto, pediu ao padre Roberto de Sousa para assumir «uma nova missão» na Vigariaria de Lousada ou do Marco de Canaveses, afirmou em anterior comunicado enviado à agência Lusa.

De acordo com o bispo, o sacerdote salientou que ao deixar Canelas não queria assumir trabalho paroquial, preferindo ser capelão militar ou hospitalar.

«Quero que o Padre Roberto sinta que procuro o seu bem, que atendo à sua proposta, feita no primeiro encontro que teve comigo, e que acredito que irá fazer do seu melhor no novo trabalho que me disse gostar. Manifestei-me disponível para a partir de 30 de outubro fazer o decreto de nomeação e lhe conferir posse do novo múnus», acrescentou.