A ProToiro considerou, esta quinta-feira, que a proposta que veda a atribuição de verbas de financiamento para touradas “é uma campanha negativa para o setor”, uma vez que “não existem fundos comunitários para atividades com fins tauromáquicos”.

O Parlamento Europeu (PE) solicitou na quarta-feira que nenhuns fundos comunitários sejam destinados a propriedades onde sejam criados touros para touradas, o que foi recebido com satisfação pelas associações de defesa dos animais, mas é contestado pelos defensores da tauromaquia.

Em declarações hoje à agência Lusa, Hélder Milheiro, da ProToiro- Federação Portuguesa de Tauromaquia, explicou que o que aconteceu no Parlamento Europeu (PE) foi a apresentação de uma emenda do Partido Ecologista “Os Verdes”, na qual se pede que "nem os dinheiros da PAC (Política Agrícola Comum), nem quaisquer outras verbas orçamentadas devem ser utilizadas para financiar atividades de tauromaquia em que o touro seja morto”.

“O que acontece é que aqui há um problema: esta emenda pede [o fim de] algo que não existe, uma vez que não existem apoios europeus destinados à tauromaquia, como (…) revelou uma fonte da Comissão Europeia”, salientou.


A Comissão Europeia, citada na quarta-feira pela Agência France-Presse, diz que “não há nenhum financiamento da UE para touradas”, recordando que, desde 2003, os subsídios recebidos pelos agricultores "deixaram de estar ligados ao que produzem e em que quantidade para ficarem sujeitos ao respeito de determinados padrões" relacionados com o ambiente ou o bem-estar animal.

“A proposta do PE [é sobre um apoio que] não existe e, se não existe não se pode proibir”, disse Hélder Milheiro.


No entender do responsável, a proposta do PE tem por objetivo fazer uma campanha mediática da parte de alguns grupos políticos para tentarem gerar um efeito negativo sobre o setor da tauromaquia.

“O alvo desta campanha foi a tauromaquia espanhola e francesa, onde o toiro é morto. Tratou-se de mais uma manobra demagógica que não tem fundamento legal, e não poderá ser aceite. Ao que tudo indica, será recusada pelo Conselho da União Europeia”, segundo a ProToiro.

Hélder Milheiro lembrou que, também em Portugal, “vários grupos antitaurinos têm veiculado a mesma mentira, dizendo que a tauromaquia recebe 16 milhões de euros por ano”.

“O IFAP [Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, responsável pela gestão dos fundos europeus para a agricultura] já desmentiu categoricamente a existência de apoios à tauromaquia, tal como o próprio Ministério da Agricultura respondeu a esta questão colocada pelo Bloco de Esquerda, no final de 2012, pela deputada Helena Pinto, no parlamento”, disse.

Na resposta, referiu Hélder Milheiro, foi sublinhado que “não existem apoios públicos para fins tauromáquicos, nem qualquer apoio que seja atribuído especificamente aos touros de lide”.

Neste contexto, a ProToiro lamenta que o PE seja “instrumentalizado para votações que carecem de verdade e de fundamento legal, promovendo preconceitos ‘taurofóbicos’, num claro desrespeito pelos direitos e liberdades dos cidadãos europeus”.