O jantar da Web Summit no Panteão Nacional foi autorizado, garante a diretora do monumento, pela Direção Geral do Património Cultural, sob tutela do ministério da Cultura que, por sua vez,garante só este sábado ter tomado conhecimento do evento.

A diretora do Panteão Nacional reagiu este domingo à polémica com o jantar privado da Web Summit que ali se realizou, na sexta-feira. Ao jornal Público, Isabel Melo garantiu ainda que não se demite e justificou porquê.

O que aconteceu na sexta-feira foi um jantar, entre outros que se realizam aqui, no corpo central do monumento. Aqui, neste sítio, não há nenhum corpo. São apenas homenagens".

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A responsável frisa, assim, que o jantar de sexta feira foi um igual a tantos outros que se realizam no monumento. Ontem, soube-se também que poucas semanas antes, em outubro, uma empresa pública também ali reuniu trabalhadores num jantar de gala. Trata-se da NAV Portugal.

Apesar de o despacho que permite alugar o Panteão e outros monumentos para eventos ter sido aprovado pelo Governo anterior, o ex-secretário de Estado responsável pelo regulamento aprovado em 2014, Jorge Barreto Xavier lembrou, em entrevista à TVI, que a Direção Geral do Património Cultural, sob a tutela do ministério da Cultura, podia simplesmente ter negado a autorização.

Estranhei muito que o atual Governo remetesse para o Governo ao qual eu pertenci, de alguma forma, a responsabilidade por uma decisão que foi tomada pelo atual Governo. O atual Governo, que tanto se colou à Web Summit, quando corre mal o jantar da Web Summit no Panteão, a culpa já é do Governo anterior. Talvez também pudesse dizer que a Web Summit também foi começada e preparada pelo Governo anterior."

A polémica, que surgiu nas redes sociais com a divulgação de fotografias e vídeos do jantar realizado na sexta-feira, levou o Governo a prometer alterar a legislação "para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais". O primeiro-ministro considerou, mesmo, "absolutamente indigno" ter-se realizado um jantar naquele local. 

O Presidente da República também não gostou de saber do sucedido, defendendo que que aquele local "não é adequado" para um jantar, nem que fosse "o jantar mais importante de Estado". Marcelo Rebelo de Sousa considerou, por isso, "muito sensata" a decisão do Governo de alterar a lei que permite o aluguer de monumentos para eventos.

Já pedidos de desculpas, só houve um até agora: do fundador da Web Summit. Paddy Cosgrave diz que ele e os irlandeses têm, culturalmente, "uma abordagem muito diferente em relação à morte" e garante que "não quis ofender os heróis nacionais" que estão sepultados no Panteão.

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